Conheça competências e conteúdos imprescindíveis para ajustes nos currículos e nos planos de trabalho docente, segundo a identificação da BNCC

O desafio da educação brasileira tem sido o de olhar para o futuro sem descuidar dos déficits do passado. Isso significa promover uma educação mais conectada com a realidade que crianças e jovens de hoje irão encontrar ao se formar - no mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo do século 21 -, mas também ampliar e fortalecer índices de aprendizagem nos componentes curriculares tradicionais, como os de Língua Portuguesa e Matemática.

Em 1996, o Instituto Ayrton Senna criou o programa Acelera Brasil, com foco na aceleração da aprendizagem de estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental com distorção idade-série (que têm idade acima da esperada para o ano em que estão matriculados).

Metade dos alunos atrasados no mínimo
em dois anos na escola

Anos

Ensino fundamental

Ensino médio

1996

47,0

55,0

1998

47,2

53,9

2000

41,7

54,9

2001

39,1

53,3

Fonte: MEC-INEP dados de redes públicas

O comprometimento do Instituto com evidências empíricas e científicas proporcionou o clima ideal para que sua execução, disseminada por todas as regiões do país, gerasse novos dados que explicitaram causas mais profundas para a má qualidade da educação brasileira como a fragilidade da alfabetização e a insuficiente cultura de gestão no universo educacional, fruto da ausência do tema nas formações dos educadores. Diante do desafio da correção de fluxo escolar, criou-se o programa Se Liga, destinado à alfabetização de estudantes com distorção idade-série, e desenvolveu-se uma série de programas voltados para a gestão educacional.  

Agora, diante do cenário atual, torna-se urgente impedir um aumento nessas fragilidades, o que implica novamente olhar para questões como a alfabetização e a cultura de gestão nas diversas redes. E isso ao mesmo tempo em que se busca realizar ajustes nos currículos e nos planos de trabalho para otimizar o tempo escolar, o que demanda alta capacidade de tomada de decisões com base em evidências.

A seguir, disponibilizaremos materiais de apoio para essa adequação curricular em consonância com a BNCC – em dois modelos: um para estratégias de correção de fluxo, outro para turmas regulares dos anos iniciais do Ensino Fundamental, mas com defasagem de aprendizagem, e ambos num ambiente com redução do tempo pedagógico. Na sequência, compartilhamos outros materiais para abordar boas práticas de gestão visando a eficiência de políticas públicas.

Cumpre destacar a importância da correção de fluxo ser tratada como política pública, isto é, estar comprometida não apenas com a regularização pontual do fluxo escolar, mas criar as condições necessárias para que todos os estudantes da rede, ao desenvolverem competências e se apropriarem dos conteúdos selecionados, tenham plenas condições de seguir sua vida escolar e concluir a Educação Básica. É essencial, para isso, embasar essa política em um referencial curricular que explicite competências e conteúdos fundamentais para essa continuidade da vida escolar. O outro referencial, apresentado por série e disciplina para turmas regulares de cada um dos anos inicias do Ensino Fundamental, expõe competências e conteúdos básicos para o desenvolvimento integral do estudante.

Para alunos em fase de alfabetização apresentamos a proposta de Alfabetização 360º, que abrange o desenvolvimento de competências cognitivas e socioemocionais a partir de múltiplas linguagens, e da adoção de práticas gestoras eficientes e efetivas, cujas estratégias permitem fundamentar a construção e implementação de políticas públicas de alfabetização.

O QUE ENSINAR?
COMO ENSINAR?

O QUE ENSINAR? COMO ENSINAR?

O currículo escolar é a resposta dada pela escola para duas perguntas básicas e objetivas em educação: O que ensinar? Como ensinar? Mas, para respondê-las, a instituição escolar precisa conhecer a comunidade na qual está inserida e o momento histórico vivido. Um currículo, portanto, define a trajetória do estudante ao indicar quais habilidades ele deve adquirir e quais experiências vivenciará em função das metodologias adotadas, e que possibilitarão seu desenvolvimento.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), ao definir as competências e os objetos de aprendizagem mínimos para todo o país, tornou-se referência para a construção dos currículos comprometidos com a oferta de oportunidades educacionais para todos os estudantes, em todas as dimensões do ser humano: relacional, produtiva, intelectual e afetiva, independentemente de sua localização geográfica ou contexto socioeconômico.

Sua estrutura foi pensada para acontecer no calendário oficial do ano letivo, ou seja, 800 horas de trabalho pedagógico distribuídas por 200 dias letivos, no mínimo. Mas alguns acontecimentos podem reduzir esse tempo escolar e levar à necessidade de escolhas sobre o que é essencial desenvolver em determinado período para que a redução do calendário não redunde em prejuízo para o estudante. Essa é a situação que vivemos em 2020 com a pandemia do novo coronavírus, que levou à suspensão das aulas presenciais em todo o país e que obrigará a reorganização de currículos que consigam suprir lacunas da aprendizagem daquele ano, ao mesmo tempo em que se avançará para o calendário de 2021.

Graças à experiência do Instituto Ayrton Senna com as soluções de correção de fluxo Se Liga e Acelera Brasil, que se apoiam em readequações curriculares para o resgate de anos de atraso em idade e em aprendizagem em apenas um único ano letivo, foi possível proceder à seleção de competências, habilidades e objetos do conhecimento presentes na BNCC, tanto para turmas de correção de fluxo quanto para cada um dos cinco anos regulares do chamado Ensino Fundamental 1.

Assim, estas propostas de referenciais para readequação curricular nascem da intenção de colaborar com as redes de ensino no processo de revisão de seus currículos para quando a rotina escolar for retomada, e as necessidades de aprendizagem dos estudantes forem devidamente diagnosticadas. Trata-se de otimizar o tempo escolar disponível pelo enfoque nas competências essenciais que os alunos precisam desenvolver para seguir em sua escolaridade.

 

 

Assim, estas propostas de referenciais para readequação curricular nascem da intenção de colaborar com as redes de ensino no processo de revisão de seus currículos para quando a rotina escolar for retomada, e as necessidades de aprendizagem dos estudantes forem devidamente diagnosticadas. Trata-se de otimizar o tempo escolar disponível pelo enfoque nas competências essenciais que os alunos precisam desenvolver para seguir em sua escolaridade.

O princípio geral que inspira este referencial curricular é que os anos iniciais do Ensino Fundamental têm como foco a alfabetização eficiente dos alunos, e que as disciplinas de Ciências, Geografia e História, ao integrarem o currículo, ajustam-se perfeitamente ao desenvolvimento da leitura, da escrita e da oralidade. Ou seja, é preciso pensar e cuidar dos anos iniciais do Ensino Fundamental pela ótica da eficiência do processo de alfabetização dos alunos, fator fundamental para sua vida acadêmica futura, que pode se beneficiar de linguagens diferentes, desde que estas se voltem para o domínio da língua portuguesa e da linguagem matemática.

Não se trata, vale lembrar, de substituir a BNCC para o Ensino Fundamental I, pois ela é o referencial nacional a ser seguido, mas sim de dotar as redes de ensino de uma possibilidade curricular viável para situações emergenciais como a que vivemos  agora, principalmente.

As matrizes aqui apresentadas servirão para que os educadores tenham em mãos um instrumento coerente com o processo de desenvolvimento e aprendizagem esperado para essa etapa da educação básica, numa organização que respeita a BNCC mesmo em situação de redução do tempo pedagógico.

Acesse as propostas aqui:

REFLEXÕES SOBRE AS LINGUAGENS DE ACORDO COM A BNCC

REFLEXÕES SOBRE AS LINGUAGENS DE ACORDO
COM A BNCC

Uma das formas de garantir a implementação do modelo de educação promovido na BNCC está na integração das áreas de conhecimento e na utilização de múltiplas linguagens, como a matemática, a científica, a digital, a corporal e a artística.

A BNCC explicita essa proposta na competência geral 4:

4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.

Apresentamos aqui análises de especialistas para a utilização das linguagens de Língua Portuguesa, Matemática, Corporal, Digital, Artística e Científica a partir da proposta da BNCC. Importante destacar que essas reflexões não direcionam as ações da escola e não advogam a opção por métodos, uma vez que os métodos de ensino são compreendidos como opções do campo do currículo, de responsabilidade de cada sistema de ensino, tendo em vista as características do contexto escolar.

Alfabetização 
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Linguagem corporal
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Linguagem digital 
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Linguagem artística
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Linguagem matemática 
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