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O professor para o século 21

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Por Mozart Neves Ramos
(Correio Braziliense ‐ Opinião ‐ 04/03/2016)

O direito à aprendizagem escolar está previsto em vários documentos da educação brasileira, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e algumas das diretrizes elaboradas pelo Conselho Nacional de Educação, por meio de sua Câmara de Educação Básica. É, portanto, obrigação da escola informar e assegurar o que cada aluno deve aprender ao longo de cada série escolar. Mas, na prática, isso até hoje não acontece na maioria das escolas brasileiras. Torna‐se, assim, relevante a implantação de uma Base Nacional Comum capaz de estruturar um currículo para o Brasil, trazendo o que deve ser ensinado em cada ano escolar nas diferentes disciplinas.

Todavia, a aprendizagem escolar passa necessariamente por professor bem formado, preparado para enfrentar o cotidiano da sala de aula, em condições de responder, no campo educacional, às demandas advindas de um tempo que se traduz por fortes e seguidas descontinuidades tecnológicas, como o que estamos agora vivendo no século 21. Portanto, assegurar que nossos alunos aprendam o que seria esperado, ao longo de cada ano escolar, passa necessariamente pela formação do professor.

Estudos, como o realizado por Bernadete Gatti, da Fundação Carlos Chagas, mostram que a formação está muito distante do chão de escola. Muita teoria e pouca prática de ensino. Ademais, torna‐se também relevante saber de que prática estamos falando e de qual delas precisamos, do ponto de vista dessa nova sala de aula fortemente influenciada pelas novas tecnologias. Estamos vivendo novo ambiente digital que não pode deixar de ser considerado, sob pena de nos afastarmos do mundo em que vivem os nossos alunos. Nesse sentido, entendemos o novo ambiente como meio, e não como fim em si mesmo. Colocar tablets, games, óculos de realidade virtual no processo de ensino sem preparar o professor não vai funcionar.

No passado recente, a maior demanda nas escolas públicas era ter um laboratório de informática. E muitos foram implantados na maioria dessas escolas, mesmo que muitas vezes a internet se fizesse presente por telefonia discada. Isso se mostrou pouco eficiente no processo de ensino/aprendizagem. Sala de aula num ambiente físico e laboratório de informática em outro, sem interação direta, pouco serviram na prática para alavancar os índices de aprendizagem. As escolas particulares perceberam isso e começam a investir não mais em laboratórios de informática, e sim em banda larga, de forma a colocar em prática o processo de ensino mediante abordagens híbridas de aprendizagem. Nessas escolas, por exemplo, o data show está se transformando em uma tevê conectada, de forma que o professor possa trocar informações com seus alunos.

Como professor há 36 anos, creio ainda que nada substitui o professor inspirador, aquele que tem brilho nos olhos e torna a aula encantadora e motivadora para os alunos. Contudo, a forma de ele levar o brilho é que mudou; precisamos ainda desse professor, mas é necessário que ele entenda que a aula expositiva tradicional não pode ser mais o único caminho.

É preciso também que a sala de aula seja arquitetonicamente flexível, de forma que possa ser eventualmente disposta para que o professor trabalhe com os alunos em equipe, promovendo atividades colaborativas, e não mais com os alunos todos enfileirados. Também se espera que a nova sala de aula seja capaz de proporcionar trabalho de pesquisa por meio da internet e de suas redes de informação, daí a importância da banda larga. Nesse caso, o papel do professor passa a ser o de um tutor, de alguém que ajuda seus alunos na qualificação da informação procurada e os motiva a buscar novos conhecimentos, despertando‐os para desenvolver novas habilidades, tais como o pensamento crítico e a criatividade.

Por isso, ao mesmo tempo em que pensamos em colocar novas tecnologias em sala de aula, precisamos também pensar na formação do professor para os novos tempos, que inclui não só prepará‐los para o uso das novas tecnologias como também democratizar o acesso aos novos achados das ciências, tais quais os oriundos da neurociência. O direito à aprendizagem dos alunos passa por garantir ao professor o direito ao conhecimento.

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Instituto Ayrton Senna Organização sem fins lucrativos comprometida com a educação

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