Como apoiar o desenvolvimento integral em sala de aula através de práticas de ensino e políticas públicas

Com novo propósito, Educação Integral promove práticas de ensino e políticas públicas emancipadoras

Tão desafiador quanto gerar avanços na aprendizagem escolar, o desenvolvimento de novas práticas de ensino movimenta educadores para um novo formato de educação, que aborda a preparação completa do aluno para a vivência em sociedade.

 

Já falamos aqui anteriormente sobre a Educação Integral ser a chave para o desenvolvimento da autonomia dos estudantes dentro e fora da escola. A perspectiva dessa visão de educação perpassa todos os espaços da vida de cada pessoa: escola, família, trabalho, relacionamentos e comunidade.

 

Com esse modelo, a escola tem o potencial necessário para ser o ponto de integração, afinal, é nesse ambiente que se articulam os diversos atores e instituições para enriquecer o processo de desenvolvimento de crianças e jovens.

 

No entanto, para conseguir responder aos desafios da contemporaneidade é necessário olhar para como estão organizados atualmente os sistemas e práticas de ensino, desde as políticas públicas até a rotina escolar e a forma como a escola materializa o currículo e propõe que professores e alunos construam o processo de ensino e aprendizagem.

 

Ainda que o Brasil já tenha conquistas consideráveis nesse âmbito, como a garantia do acesso ao Ensino Fundamental a quase toda a população, os sistemas de ensino e as escolas precisam assegurar o real aprendizado e desenvolvimento dos estudantes.

Podemos dizer que a educação brasileira possui, hoje, duas demandas igualmente prioritárias:

  1. Acelerar os esforços para saldar a dívida educacional que se revela nos baixos índices de aprendizado, pois não há dúvidas de que ainda é preciso superar muitos desafios educacionais básicos – como os relacionados à alfabetização, ao numeramento e à aprendizagem de fenômenos naturais e humanos;
  2. Investir com ousadia em inovações curriculares e em novas práticas de ensino para ampliar as fronteiras de qualidade, de modo a atender aos novos desafios que a sociedade do conhecimento traz.

 

A Educação Integral tem sido apontada como um caminho promissor para lidar com esses dois desafios. Com ela, a busca atual é por materializar o que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2017) propõe, agregando aos currículos escolares o desenvolvimento de competências cognitivas e socioemocionais (tais como colaboração, resiliência e abertura ao novo), e isso deve ser feito tanto no âmbito de políticas públicas quanto de práticas escolares.

 

Atenção: o termo Educação Integral não está associado, necessariamente, a tempo integral na escola. O termo é utilizado, nesse contexto, para a aplicação da prática de ensino que ultrapassa o aprendizado cognitivo.

 

No histórico brasileiro, diversos projetos e políticas trataram a Educação Integral apenas pelo viés da ampliação do tempo. Muitas vezes, essas iniciativas de jornada ampliada, em que os estudantes passam o dia todo na escola, têm objetivos que vão da assistência social (manter crianças e jovens longe das ruas), à oferta de atividades lúdicas ou culturais que não se articulam como currículo.

 

As práticas de ensino relacionadas à Educação Integral defendem a dimensão qualitativa da educação, que passa a ter como propósito o desenvolvimento integral dos estudantes. Essa perspectiva trata de ampliar as oportunidade e situações de formação significativas e emancipadoras.

 

Dessa forma, conteúdos, conceitos e processos seguem sendo importantes papéis da escola, mas podem ser ressignificados, pois, na Educação Integral, o foco se amplia para o uso desses aprendizados nas práticas sociais e na resolução de problemas, de modo a construir e desenvolver com os estudantes as competências que os permitam conviver, ser, produzir e seguir aprendendo ao longo da vida.  

 

O desafio é o de concretizar essa visão de educação nas redes de ensino, escolas e salas de aula, algo que requer um currículo integrado aos interesses e projetos de vida dos estudantes. É por meio da integração curricular que educadores e alunos darão sentido ao aprendizado.


Para isso, é preciso investir, por um lado, em metodologias e práticas de ensino e aprendizagem condizentes com essa visão de educação e, por outro, em inovações também na formação de professores e nas práticas de gestão adotadas pelas equipes e redes de ensino.

 

Ou seja, promover intencionalmente a Educação Integral envolve tanto o âmbito das práticas em sala de aula quanto o das políticas públicas, que devem estar coerentes com um mesmo propósito de desenvolvimento pleno dos estudantes.


É importante embasar essas transformações contando com os conhecimentos que já vêm sendo produzidos, tanto pelos próprios professores nas escolas, quanto por pesquisadores de diversas áreas da ciência.

 

Estudos variados buscam entender como se dá a aprendizagem, quais as práticas mais eficientes, e os impactos que esse modelo de educação exerce sobre o desenvolvimento humano ao longo da vida, entre outros temas.

 

O apoio dessa ampla produção, articulado ao desenvolvimento de ações efetivas, é o que torna possível impulsionar o esforço conjunto pela educação de qualidade que todos queremos!

 

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