A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) levou a educação integral para o cotidiano das escolas, e colocou nas mãos de decisores e gestores educacionais de política pública o desafio de sair do discurso e torná-la realidade para todos os estudantes brasileiros. Trata-se de um norteador para enfrentar os déficits das redes de ensino no campo da aprendizagem, cujos resultados têm ficado muito aquém do desejado e necessário, e para jogar luz à urgência de passar a trabalhar a educação por um olhar mais amplo.

Educação integral implica olhar o estudante em todos os seus aspectos, em todas as suas dimensões, em todas as suas experiências e vivências, usar oportunidades do cotidiano e linguagens diversas para apoiá-lo e engajá-lo com o seu próprio desenvolvimento. Ou seja, estamos falando de uma educação a partir de uma perspectiva 360°!

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Compreender e praticar, de forma planejada e intencional, a educação integral, onde se cruzam e se integram as chamadas competências cognitivas e socioemocionais, envolve conhecimentos acadêmicos, competências pessoais e relações sociais em processos que abarcam todos os âmbitos, tempos e espaços da educação, desde a sala de aula até a secretaria de educação, e isso desde os primeiros contatos com a escola.

Não é uma responsabilidade trivial introduzir e acolher as crianças no universo escolar, já que para muitas delas é a primeira vez que deixam o ambiente familiar, geralmente previsível, e adentram num mundo desconhecido, onde a relação de confiança e o afeto não estão totalmente prontos, mas precisam ser demonstrados, praticados, conquistados e vividos para que a escola seja de fato um espaço desejado, e o tempo nela investido seja de conquistas e realizações. 

Assim, a educação conhecida como formal é uma ação processual e coletiva que requer compromisso com a integralidade do ser humano, ao longo de toda a Educação Básica, portanto dos quatro aos 17 anos de idade, quando se dá o desenvolvimento entre infância e juventude. 

No seu início, isto é, na pré-escola e nos primeiros anos do Ensino Fundamental, fase da alfabetização, encontram-se as oportunidades mais ricas para o desenvolvimento das competências que fundamentarão a trajetória escolar e o projeto de vida do estudante. Para que isso se efetive nesta fase do ensino, o trabalho pedagógico precisa ir além do domínio do sistema da escrita alfabética ou das operações da Matemática. Deve incorporar e integrar linguagens de outras áreas do conhecimento que valorizem a curiosidade natural da criança, sua abertura para o novo, sua disponibilidade para aprender, bem como sua facilidade para conviver e de se comunicar. Temos, assim, o ambiente propício para trabalhar habilidades de oralidade, leitura e escrita, bem como os princípios da matemática, pelo olhar das linguagens corporal, científica, artística e digital, aliadas ao conhecimento e desenvolvimento das competências socioemocionais.

Entender e praticar a educação integral intencionalmente no período de alfabetização é desbravar um campo relativamente novo para todos nós educadores. É um desafio que não pode e não deve ser enfrentado sozinho, pois educação é compromisso de toda a sociedade. Com a certeza dessa construção coletiva é que o Instituto Ayrton Senna preparou este Guia, um instrumento de apoio por uma Alfabetização 360° que reúne conhecimentos, evidências e práticas já vivenciadas pela equipe e parceiros do Instituto, e que muito se beneficiará pela diversidade de experiências e conhecimentos de educadores e gestores, construtores e executores da política de alfabetização que ainda poderão ser reunidos a este material. Desta forma, esperamos mantê-lo como um modelo inspiracional, dinâmico e plural, com foco na equidade e no respeito aos compromissos da sociedade para com o direito ao desenvolvimento integral dos milhões de alunos matriculados nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

Vamos juntos?

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