publicado em 31 de agosto de 2021

Volta ao Novo: Instituto Ayrton Senna apoia educadores de Brasiléia, no Acre

Profissionais do município, localizado na fronteira entre Brasil, Bolívia e Peru, tiveram contato com o tema socioemocionais pela primeira vez por meio do programa Volta ao Novo, em parceria com a Undime

“Por muito tempo nessa pandemia, eu me sentia sozinha e ficava pensando: será que só eu estou sobrecarregada? ”, conta Nubete Martins da Silva, professora na Escola Municipal Maria Socorro de Souza Frota, de Brasiléia – Acre. Em 2020, a educadora passou a lecionar de casa, e a acompanhar seus alunos por telefone e até mesmo presencialmente, em alguns casos. Em meio a isso, a demanda por cuidado e atenção da sua família também aumentou. No final do ano, chegou a adoecer devido ao estresse causado pela nova rotina.

Nubete é uma entre os milhões de professores brasileiros que precisaram se reinventar, em meio a uma situação de medo, incerteza e insegurança causada pela pandemia do novo coronavírus.

No segundo semestre do ano passado, porém, ela se juntou aos seus colegas educadores para participar dos encontros formativos do Volta ao Novo. A iniciativa foi criada pelo Instituto Ayrton Senna durante a pandemia da Covid-19 para apoiar o acolhimento dos profissionais da educação e estudantes de escolas públicas e auxiliar no planejamento do ensino remoto a partir de uma visão de desenvolvimento pleno e educação integral.

O Volta ao Novo chegou a Brasiléia, município de 25,6 mil habitantes localizado na fronteira entre Brasil, Bolívia e Peru, por meio da parceria entre o Instituto Ayrton Senna e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), que impactou todas as regionais do órgão no país. Em Brasiléia, 133 professores participaram dos encontros da primeira fase, realizada no segundo semestre de 2020, com foco no desenvolvimento de competências socioemocionais dos educadores.

“Ao ter contato com as competências socioemocionais, pude entender os pensamentos e sentimentos que passavam pela minha cabeça e descobri como organizá-los para conseguir enfrentar os desafios da pandemia. Isso também mudou a forma como estava lidando com os meus estudantes. Vi que não fazia sentido me preocupar apenas com entrega de atividades, e que era importante realizar um acolhimento, pois eles também estão passando por uma crise. ”, contou a professora Nubete, em uma conversa com a equipe do Instituto Ayrton Senna por vídeo chamada.

Ao seu lado estavam Daniel Gonçalves Neves, professor na escola rural Francisco Germano da Silva, e Antonio Jesus de Souza Bispo, coordenador de ensino da secretaria municipal e multiplicador do Volta ao Novo no Acre. Juntos, dividiram a tela para contar como a iniciativa tem transformado a realidade dos educadores no município.

Legenda: Francisco da Silva, Antonio Jesus Bispo e Nubete da Silva conversam com o Instituto Ayrton Senna por vídeo chamada

“Com o Volta ao Novo, até nossa vivência com a família melhorou. O estresse e a angústia estavam aflorados, porque não sabíamos como lidar com a situação. E o programa nos trouxe, além do entendimento sobre as emoções, acolhimento e esperança”, diz o professor Daniel, que leciona para jovens filhos de agricultores e ribeirinhos em uma escola rural localizada a 60 km de Brasiléia.

Jesus, o coordenador, dá mais exemplos de como o conhecimento sobre competências socioemocionais tem apoiado a organização das rotinas dos educadores. “Em Brasiléia, a gente não percebia as dores dos professores e das famílias. Até que, nas formações do Volta ao Novo, uma professora me disse que estava sufocada tentando conciliar os trabalhos da escola e os domésticos. No módulo sobre autogestão, conseguimos pensar juntos em novas rotinas, que levassem em conta também os momentos de lazer. É nesses momentos que a educação cumpre seu papel de estender além das paredes da sala de aula”, conclui.

Após identificar as competências socioemocionais fundamentais para o trabalho docente em tempos de crise, os professores de Brasiléia agora têm mais ferramentas para desenvolver e implementar estratégias de apoio ao desenvolvimento socioemocional dos seus alunos no retorno das aulas presenciais, que deve ocorrer no segundo semestre.

O trabalho serviu de referência para todo o estado e ganhou novos contornos. “Estamos fazendo um desdobramento inédito para expandir e adaptar os encontros também para os funcionários do administrativo ”, comenta Jesus. “Porque esse aprendizado vai além de formar jovens para o mercado de trabalho. Ele pode apoiar a vida de todos nós”, conclui.

Para saber mais sobre a iniciativa Volta ao Novo e seus desdobramentos pelo país, clique aqui.

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Legenda: Programa Volta ao Novo em Brasiléia: 133 professores impactados e 2.915 alunos beneficiados, em 20 escolas de Educação Infantil e Ensino Fundamental, urbanas e rurais