publicado em 1 de abril de 2022

Instituto Ayrton Senna e Secretaria de Educação de São Paulo divulgam mapeamento inédito sobre competências socioemocionais de professores

O Instituto Ayrton Senna e a Secretaria de Educação de São Paulo (SEDUC-SP) anunciam os resultados do monitoramento socioemocional de professores, realizado com os profissionais da rede estadual paulista entre maio e junho de 2021. Em formato online, a participação foi aberta a todos os educadores da rede, com preenchimento voluntário, e recebeu as respostas de 42.789 professores da rede estadual, sendo 74,3% são do sexo feminino e 25,7% do sexo masculino. 64,0% atuam no Ensino Fundamental Anos Finais (EFAF); 60,2% no Ensino Médio, 17,8% na Ensino Fundamental Anos Iniciais (EFAI) e 2,1% na Educação Infantil (EI).

Os dados geram insumos para o entendimento da situação socioemocional dos docentes a partir de evidências. Entre outras informações, o mapeamento mostrou que a maior parte dos professores consideram Respeito e Justiça como as competências mais relevantes para o exercício da profissão e Autocontrole emocional e Colaboração entre pares como as que mais gostariam de ter apoio na rede para o desenvolvimento.

Entre os principais achados, também vemos que 96% deles têm orgulho da profissão e mais de 90% sentem-se animados por trabalhar com estudantes e felizes quando se conectam com eles. O levantamento também mostrou que os educadores querem ajudar os estudantes a lidarem com suas emoções e que gostariam de ter apoio para seu desenvolvimento socioemocional, especialmente no autocontrole emocional e na colaboração entre pares.

O mapeamento busca compreender como os professores identificam suas próprias competências socioemocionais no âmbito escolar, com o objetivo de fortalecer o autoconhecimento e apoiar o desenvolvimento pleno dos profissionais da educação. Mais de 95% concordaram que as 18 competências apresentadas pelo estudo são importantes ou extremamente importantes para as práticas do professor, e mais de 90% dos participantes disseram fazer o seu melhor para ajudar os estudantes a lidar com emoções, reconhecendo a relevância dessa dimensão no ambiente escolar, conforme previsto na BNCC (Base Nacional Comum Curricular).

Aplicado a partir de uma metodologia de autorrelato e com participação voluntária, o mapeamento também cria oportunidades para a expressão de suas necessidades enquanto profissionais. Quando questionados sobre quais competências eles mais gostariam de ter apoio da rede para desenvolver, quase 60% dos educadores indicaram o autocontrole emocional (que ajuda a manter o equilíbrio para lidar com as emoções negativas e com os desafios da rotina escolar) e, em segundo lugar, quase 50% deles apontaram a colaboração entre pares (definida como a habilidade para formar rede de apoio entre os próprios professores, disposição para interagir e aprender com as abordagens pedagógicas dos outros, por meio da troca de experiências). Em terceiro lugar, com quase 44%, o gerenciamento de estresse.

Em relação à iniciativa em si, há um duplo ineditismo, já que se trata da primeira iniciativa focada no entendimento do desenvolvimento socioemocional dos educadores brasileiros; além disso, a coleta foi feita a partir de um instrumento fundamentado em uma matriz específica das competências mais para a atuação dos professores, desenvolvida pelo Instituto Ayrton Senna.

Os resultados da aplicação também contribuem para o aperfeiçoamento do instrumento e para a geração de novas evidências para reflexões e debates sobre a temática. Colocando em prática um modelo de avaliação socioemocional para educadores com pioneirismo, a parceria integra também um conjunto de ações, metas e planos que podem embasar e/ou fortalecer políticas públicas de educação integral a serviço da formação de professores. Em outras palavras, a iniciativa pode ser vista como um dos desdobramentos do olhar socioemocional que permite ressignificar, estruturar e orientar a formação de professores, oferecendo insumos e insights para a criação de itinerários formativos.

Considerando que as evidências científicas geram as bases necessárias para a criação de políticas públicas, o mapeamento também pode ser visto dentro da dinâmica cíclica da geração de insumos a partir das próprias ações institucionais, retroalimentando os processos.

 

 

O Instituto entende as competências socioemocionais de professores como características individuais que originam-se da interação recíproca entre predisposições biológicas e fatores ambientais; manifestam-se em padrões consistentes de pensamentos, sentimentos e comportamentos; continuam a se desenvolver por meio de experiências formais e informais de aprendizagem; podem ser adquiridas e desenvolvidas em formações iniciais e em serviço; podem facilitar direta e indiretamente a aprendizagem dos estudantes; e podem facilitar a interação com colegas, profissionais da educação, pais e sociedade.

 

Educação integral e formação de professores

A política de educação integral vigente na rede estadual paulista considera o aspecto socioemocional no processo de gestão de resultados e, por isso, a SEDUC-SP já desenvolve em parceria com o Instituto um conjunto de ações que envolvem essa dimensão –  autoavaliações socioemocionais com estudantes, em modelo formativo e diagnóstico, bem como a produção de materiais didáticos para desenvolvimento socioemocional em projeto de vida e em duplo foco, são exemplos das ações já realizadas pelos educadores da rede.

A realização de ações formativas periódicas com gestores e professores acontece para dar o suporte necessário para que esses profissionais possam agir em prol dessa política de educação integral, manifestando seu papel como agentes transformadores. Porém, é preciso que essa integralidade seja vista também sob o ponto de vista individual do educador, manifestando-se também em seu cotidiano pessoal e profissional, que engloba a gestão de suas demandas, a relação com pares e gestores, entre outras coisas. Para promover o desenvolvimento intencional dessas competências, em 2021 o Instituto Ayrton Senna, em parceria com a EFAPE (Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação do Estado de São Paulo), promoveu seis encontros formativos focalizados na relevância do desenvolvimento socioemocional para a profissão docente, reunindo mais de 30.000 educadores.

Saiba mais: https://institutoayrtonsenna.org.br/pt-br/conteudos/blog-de-artigos/como-falar-de-competencias-socioemocionais-com-estudantes-sem-olhar-tambem-para-as-de-seus-educadores.html

Desenvolver o aspecto socioemocional dos educadores é fundamental quando se pensa em como o fazer docente é uma profissão complexa e multifacetada, que requisita amplo espectro de competências.

Essa visão está alinhada com o que é apresentado na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que coloca aos educadores o papel de promover o desenvolvimento intelectual, físico, cultural e socioemocional dos estudantes. A atuação dos professores sempre gerou efeitos na formação dos estudantes nesses diversos campos, incluindo o do desempenho acadêmico - pesquisas científicas indicam, entre outras coisas, que aproximadamente 30% do resultado dos estudantes pode ser atribuído à influência do professor.

 

Qual a importância do mapeamento?

Como iniciativa inédita, o mapeamento marca o início de um processo de construção de uma cultura de apoio ao desenvolvimento socioemocional de professores. Esse papel inovador é também atravessado pelos desafios do ineditismo, já que representa uma nova dinâmica que precisa ser estabelecida e naturalizada.

 

A autoavaliação é importante para:

- Informar a gestão sobre aspectos a serem acompanhados

- Fundamentar a tomada de decisão com base em evidências

- Oferecer suporte mais adequado

- Estabelecimento de políticas de formação mais personalizadas

- Favorecer apoio ao docente e oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento

 

A autoavaliação NÃO deve ser utilizada para:

- Responsabilizar ou bonificar

- Traçar um perfil ideal de professor

- Criar rankings

- Considerar como características imutáveis

- Justificar ou naturalizar comportamentos 

 

 

A nova matriz desenvolvida pelo Instituto com foco em professores permite observar quatro diferentes macrocompetências:

Autorregulação das emoções: envolve conseguir lidar bem com suas próprias emoções, mesmo em situações adversas, regulando sua ansiedade e suas respostas ao estresse, além de demonstrar autoconfiança, entusiasmo e energia em suas atividades diárias.

Conexão com o outro: envolve trabalhar colaborativamente com o outro, conectando-se, pedindo e oferecendo ajuda. Respeitar a todos e valorizar as diversidades em sala de aula. Buscar acolher as emoções e ideias, demonstrando afeto e respeito para com colegas de trabalho, os estudantes e seus responsáveis.

Gestão de ensino e aprendizagem: envolve gerenciar o processo de ensino e aprendizagem, cuidando do planejamento, execução, ritmo das aulas, atividades e combinados com os estudantes, gerindo também suas emoções quando algo foge do planejado e sem perder o foco nos objetivos de aprendizagem estabelecidos.

Inventividade: envolve ter interesse por aprender e por explorar novas ideias, expressando sua criatividade ao inovar em suas práticas pedagógicas, de forma a atingir a todos os seus estudantes no processo de ensino e aprendizagem.

 

A parceria

Desde 2019, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo está comprometida com o desenho e implementação de uma política de educação integral alinhada aos marcos legais da BNCC e da BNC-Formação. Considerando sua trajetória no estudo e desenvolvimento das competências socioemocionais, o Instituto Ayrton Senna tem apoiado a rede de ensino por meio de assessoria técnica, compartilhamento de conhecimentos e construção conjunta de saberes e práticas sobre o desenvolvimento pleno dos estudantes, de professores, gestores e todos os envolvidos na comunidade escolar.

De forma transversal, o aporte do Instituto inclui a formação de educadores, a criação de materiais didáticos e conteúdos relacionadas ao desenvolvimento de competências socioemocionais para professores e estudantes, e avaliação socioemocional, com objetivo de contribuir com a política educacional paulista e a com a visão de oferecer uma educação significativa para o estudante do século 21.