publicado em 30.10.2019 ÀS 16:32

Ser crítico e criativo: todos podemos?

Por Hudson de Carvalho*

O século 21 é um tempo-espaço caracterizado por uma sua crescente complexidade, volatilidade, dinâmica e velocidade. Para se adaptar com protagonismo e se desenvolver plenamente nesse contexto, é necessário que o estudante tenha a oportunidade de desenvolver um conjunto amplo de competências que possibilitem desenhar um projeto de vida que possa ser realizado.              

Nesse sentido, a criatividade e o pensamento crítico são competências que se mostram essenciais para a vida no século 21. Entender com mais detalhamento o significado dessas competências e como é possível desenvolvê-las por meio de processos de ensino e aprendizagem pode auxiliar professoras e professores a tornar mais efetivos e amplos os aprendizados dos estudantes, além de dinamizar o fluxo das aulas.

O primeiro aspecto importante a entender é que tanto a criatividade quanto o pensamento crítico surgem e se desenvolvem a partir de experiências vividas pelas pessoas ao longo de todo o ciclo vital. Sim, ambas são aprendidas e podem ser ensinadas em qualquer período da vida. Quanto mais capacidade criativa e crítica uma pessoa tiver, mais hábil essa se mostrará em lidar com desafios e problemas da vida em sociedade. 

Mas como podemos definir o que é pensamento crítico e criatividade? A criatividade é a capacidade que pessoas têm em imaginar e criar novas coisas, dar outra utilidade àquilo que já existe ou pensar situações ou dar nuances a informações que são novas. O pensamento crítico é a capacidade de analisar uma situação, um problema ou uma informação de modo analítico, buscando entender sua origem, sua coerência, seu objetivo e validade de seus argumentos. Ambas estão relacionadas à capacidade de observar uma situação do modo conjectural e amplo, pensando possibilidades e projetando soluções.   

As duas competências se expressam por meio da curiosidade, da imaginação, da ação e da reflexão. Ao sermos criativos ou críticos passamos por fases de busca por entendimentos, projeção de soluções, colocamos essas soluções em termo práticos ao materializarmos nossas ideias e refletimos sobre o processo nos apropriando do mesmo. Assim, tanto a criatividade quanto o pensamento crítico são atos autorais, nos quais nos apropriamos e criamos trajetos para lidar com os desafios do cotidiano.

Ninguém nasce criativo ou com capacidade crítica. São potências desenvolvidas a partir do conjunto de nossas experiências e suas expressões se apresentam dos modos mais sutis ou complexos e prospectivos. Uma criança que transforma uma batata em brinquedo ou dúvidas colocadas afim de esclarecer relações já podem ser entendidas como manifestações da criatividade ou do pensamento crítico.

A escola, nesse sentido, tem papel fundamental. Ela é uma instituição social que age de modo civilizatório, podendo criar um ambiente positivo no qual se acolhe a diversidade e o erro, ao passo que estimula essas virtudes de modo intencional ao se atentar para a necessidade de estimular a curiosidade, a criação, a inovação e a ação reflexiva de modo equânime.   

A relação entre professor e aluno é um ponto fundamental desse processo. A abertura ao diálogo e a livre exploração de recursos presentes no ambiente já é um bom caminho. A utilização de metodologias ativas de ensino e aprendizagem e relações mais horizontais também influenciam muito nessa trajetória ao tornar tangível os conteúdos, de modo que este esteja mais conectado com a comunidade e com a vida do estudante, outra chave fundamental para abrir esses portais. O estímulo a perguntas e dúvidas e a criação de caminhos outros para a solução de problemas também incentivam esse desenvolvimento. 

Este processo também pode ser muito interessante aos educadores! Assim como em outros processos educativos, o aspecto mais valoroso é a troca: no processo de ensino e aprendizagem destas e outras competências ensina-se ao aprender e aprende-se ao ensinar. Dessa maneira, descobrir práticas pedagógicas criativas é um método de autodesenvolvimento criativo e de ensino da competência também aos docentes.

 

*Docente, psicólogo, doutor em ciências e especialista em educação integral no Instituto Ayrton Senna. 

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