publicado em 14 de outubro de 2021

5 pilares essenciais para fortalecer a profissão docente

Livro destaca elementos fundamentais para inovações na área

Políticas públicas e ações que apoiem a formação e desenvolvimento de educadores são fundamentais para garantir uma educação integral de qualidade para todos.  Entretanto, para que de fato contribuam com a melhoria da educação, tais políticas precisam fugir do lugar comum e verdadeiramente promover a inovação, abraçando toda a complexidade da profissão docente.

                Buscando contribuir com essa discussão, o Instituto Ayrton Senna lançou recentemente o livro ‘Desafios da Profissão Docente: Experiência Internacional e o Caso Brasileiro’, em parceria com o Instituto Península e a Fundação Santillana. Com pesquisa conduzida por Fernando Luiz Abruccio e Catarina Segatto, acadêmicos da Fundação Getúlio Vargas, a publicação aborda elementos estratégicos que apoiam as políticas docentes, boas práticas de formação e desenvolvimento e a forma como a profissão é vista atualmente.

                De acordo com os estudos realizados, conheça 5 pilares fundamentais da profissão docente que devem ser priorizados em reformas educacionais, de acordo com os autores:

           

1 – Atratividade da Carreira

            Em países bem-sucedidos em reformas educacionais recentes, como Finlândia, Chile e Singapura, uma das medidas tomadas foi o aumento de incentivos para os jovens se tornarem professores. De acordo com o livro, atrair para a docência estudantes qualificados e comprometidos com a educação deve ir além da questão salarial, sendo necessárias políticas de atração que envolvem aspectos como as condições de trabalho e a mudança da imagem que a profissão tem para boa parte da sociedade, sobretudo para os mais jovens. De acordo com estudo Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apenas 2,4% dos jovens brasileiros querem seguir a carreira de professor.

                O pesquisador Fernando Abrucio ressalta especialmente a necessidade de mudança no reconhecimento social do educador, um elemento bastante importante para a atratividade da carreira. “É preciso fortalecer a profissão docente na atratividade, na motivação, seu lugar na sociedade. Para isso, o processo de admissão não deve ser só com base em prova e títulos. Resultados e incentivos são importantes, mas se isso não se resultar em um novo mindset, não teremos mudanças duradouras”, afirmou o professor em webinar de lançamento do livro.   

 

2 – Governança e articulação

            O livro também ressalta o papel de diversos atores envolvidos no desenvolvimento dos estudantes. “É muito importante ter uma cultura de colaboração, que construa confiança, além do diálogo e transmissão da informação”, disse Abrucio.

                Para isso, é preciso a criação de uma governança tanto no processo de mudança como no de implementação. Isso demanda construir instâncias de decisão que levem em conta as contribuições de três arenas de discussão: do federalismo (regime de colaboração entre governos e sistema nacional de Educação), do tripé formativo (universidades, redes de ensino e escolas) e de instituições regulatórias (Ministério da Educação, Conselho Nacional de Educação e Congresso Nacional).

           

3 – Formação Inicial

            Em relação à formação inicial, em cursos de graduação ou licenciatura, os autores do livro defendem que haja mais sinergia entre os conteúdos acadêmicos com a realidade escolar.  Considerando os diversos desafios da sala de aula, os autores ressaltam que a formação docente deve incluir o desenvolvimento de diferentes saberes, competências e práticas necessárias ao dia a dia da profissão. “É preciso melhorar a formação inicial articulando com a prática efetiva, e oferecendo o desenvolvimento de competências para os desafios do século 21”, afirma Abrucio. Entre as novas competências necessárias à profissão, o estudo ressalta habilidades como comunicação, colaboração e escuta ativa, por exemplo.  Para isso, seria fundamental elaborar currículos de formação de professores que também atendam a essas necessidades.

           

4 – Ingresso na Carreira

            Como em qualquer profissão, os primeiros anos de atuação podem ser desafiadores. Portanto, os autores sugerem que no início da carreira docente sejam oferecidas políticas robustas de acompanhamento dos professores iniciantes. Para isso, o estudo indica que deveria ser implementada uma política de estágio probatório, regime em que o educador passa a atuar na escola com o acompanhamento próximo de colegas mais experientes. A medida já é prevista pelo Plano Nacional de Educação, aprovado em 2014, determinando que se deveria “implantar, nas redes públicas de educação básica e superior, acompanhamento dos profissionais iniciantes, supervisionados por equipe de profissionais experientes”.

                O estágio probatório, portanto, já deveria estar sendo implementado de forma ampla como um mecanismo de formação e avaliação do educador ingressante. Durante o percurso de três anos, o professor seria acompanhado e receberia mentorias e formações em serviço.  “Os primeiros anos da carreira são essenciais, e precisa de um processo de desenvolvimento; o professor aprende a ser professor na escola, na prática pedagógica”, disse Abrucio.

 

5 – Desenvolvimento contínuo

                A sociedade muda e os estudantes também. Por isso, é fundamental que seja garantido ao educador um desenvolvimento contínuo, por meio de formações em serviço que tragam temas relevantes à sua prática pedagógica. O livro aponta ações como promover condições para o desenvolvimento profissional do educador, o estabelecimento de comunidades de aprendizagem e o trabalho coletivo como fundamentais para a formação docente. “O mais importante no desenvolvimento é oferecer uma carreira mais múltipla, que o professor possa exercer várias funções, e fortalecer diversidade da carreira e trabalho coletivo dos professores”, afirma Abrucio.

Clique aqui e assista o webinar na íntegra.