Veja como foi o primeiro dia do Fórum de Marketing Relacionado à Causa 2020

Evento se reinventou em um formato 100% on-line, sem perder a essência de aproximar empresas de causas sociais.

Propósito, responsabilidade e transparência. Esses foram os principais norteadores das discussões promovidas por especialistas do Brasil e do exterior no primeiro dia do Fórum de Marketing Relacionado à Causa 2020. Foram apresentados três painéis durante a manhã desta quarta-feira (16). No primeiro, a Ipsos Brasil apresentou duas pesquisas globais, enquanto no segundo foi promovido uma roda de conversa sobre a perspectiva empresarial das causas. No terceiro e último painel, o norte-americano David Hessekiel, fundador da Engage for Good, falou sobre o despertar de causas junto a convidados.

O evento, que em sua quarta edição ganhou novos contornos diante da pandemia da Covid-19, se reinventou em um formato 100% on-line, sem perder a essência de aproximar empresas de causas sociais. O resultado foi um convite a ações concretas, que resultem em parcerias consistentes e duradouras para o bem comum da sociedade.

“Quando existe convergência entre o propósito de empresas e organizações, há uma grande oportunidade de contribuição. Nos últimos 26 anos, o Marketing de Causa apoiou o Instituto a construir políticas públicas e nos permitiu levar educação de qualidade para cada vez mais estudantes de escolas públicas. E esse evento permite que mais gente acredite que é possível fazermos um pais melhor com a união de esforços”, ressaltou Emilio Munaro, Vice-Presidente do Instituto, na abertura do evento.

Estudo global

No primeiro painel do dia, a Ipsos Brasil apresentou duas pesquisas. Priscila Branco, gerente de Public Affair da Ipsos Brasil, falou sobre o Global Adviser, estudo que ouviu 19 mil pessoas em 27 países para entender o sentimento delas com os rumos de cada país. Em seguida, Fernanda Almeida, também da Ipsos, apresentou a Reputation Council, aplicada em gestores de 19 países para entender o olhar dos tomadores de decisão sobre a transformação do mercado.

“Existem caminhos que as empresas podem seguir para mitigar os impactos da pandemia e, ao mesmo tempo, contribuir com a sociedade. Esse caminho envolve primeiro conhecer a opinião pública, qual o mood do país. Depois, é preciso manter a confiança, um dos pilares mais importantes, e em terceiro lugar, mostrar um propósito. Este último deve estar conectado ao core da empresa. O posicionamento deve ser: eu tenho propósito e sou ator de relevância para impactar positivamente a sociedade”, disse Priscila Branco.

Uma perspectiva empresarial das causas

O segundo painel do dia girou em torno das boas práticas do mercado brasileiro. Participaram Cibele Zanotta, diretora de assuntos corporativos da Danone, Eduardo Migliano, fundador da 99Jobs, e Marcel Fukayama, co-fundador da filial brasileira do Sistema B. Mediados por Monica Gregori e Rodolfo Guttilla, da agência CAUSE, eles debateram sobre a redefinição do papel das empresas diante da mudança na cultura global e sobre a importância de usar a força dos negócios para resolver problemas sociais.

“Não dá mais para ficar no discurso, tem que ter prática e objetivo. Essa nova economia precisa atuar com um novo perfil, e esse novo perfil tem três elementos: propósito, responsabilidade e transparência. Uma empresa com esses três elementos sai da velha e datada logica do “eu ganho dinheiro e depois mitigo impacto com projetos sociais” para uma nova lógica, em que o próprio modelo de negócio gera impacto positivo”, defendeu Marcel Fukuyama, do Sistema B.

Eduardo Migliano falou sobre o desafio das empresas se tornarem atrativas para os novos colaboradores, tendo em vista que os jovens buscam cada vez mais empresas que compartilham de seus propósitos. “Há 6 anos, tudo o que temos como intenção é fazer com que as empresas sejam cada vez mais transparentes e tenham um olhar cada vez mais empático com as pessoas, pois existem indivíduos atrás de metas e objetivos. O maior exercício que existe é o ouvirtude, pois o ouvir já virou uma virtude. É importante dar voz às pessoas e ouvir, não só escutar”, complementa o fundador da 99jobs.

Diretora de Assuntos Corporativos na Danone, Cibele Zannota falou sobre a importância do propósito estar todas as áreas da empresa. “É necessário conscientização e diálogo. Precisamos colocar os temas na mesa, falar abertamente e ter um olhar sensível para a inclusão do marketing de causa. Nossas marcas precisam ter impacto social. Nós temos responsabilidade”, enfatiza.

Segundo Cibele, a Danone tem sua causa enraizada em toda a cadeia de produção. “Para isso, todo mundo precisa estar envolvido na causa. É uma transformação genuína de mindset. Ao estabelecer a missão de levar saúde por meio da alimentação, a Danone passou a olhar para a cadeia inteira. Temos um programa global para medir tudo o que entra e sai da companhia. Desenvolvemos grandes projetos para emissão de zero resíduos e estamos implementando geradores de energia solar em todas as fábricas. Também temos projetos para uso consciente de água e uma fazenda-escola em Minas Gerais para apoiar produtores. Nossos propósitos estão atrelados aos nossos produtos”, completou.

Engajando para o bem

O último painel do dia contou com a participação de David Hessekiel, fundador da Engage for Good, principal iniciativa voltada ao Marketing de Causa no mundo. O norte-americano falou sobre o despertar das causas e mostrou cases internacionais junto aos seus convidados: Anne Erhard, líder de responsabilidade social da Edelman, Dan Goldberg, diretor da Call of Duty Endowment e Nancy Stinson Harris, Vice-Presidente da The Arthritis Foundation.

Hessekiel comentou ainda sobre o impacto da pandemia na ampliação das desigualdades e chamou atenção sobre a comunicação das marcas. “A forma como algumas empresas reagiram se tornou quase uma piada na mídia, pois a maioria dos anúncios pareciam idênticos. Música de piano, imagens de ruas vazias, locuções que invocam “tempos incertos” e a promessa da empresa de estar lá para os consumidores. Esse modelo foi ridicularizado nos Estados Unidos por soar genérico. Claro que é muito mais fácil falar do que fazer, mas as empresas precisam ser especificas. O que você está realmente fazendo para apoiar a sociedade na crise? ”, concluiu.

Para saber mais, assista na integra a transmissão do 4º Fòrum de Marketing Relacionado à Causa neste link.