publicado em 07.12.2018 ÀS 12:58

Letramento em Programação realiza mostras com apresentação de projetos

Os participantes do Letramento em Programação, iniciativa do Instituto Ayrton Senna que introduz aspectos do pensamento computacional para estudantes do Ensino Fundamental, reúnem-se ao final de cada ano para apresentar as produções que criaram, demonstrar as aprendizagens que conquistaram e compartilhar experiências em momentos importantes de troca e engajamento com a comunidade. Nesta terça-feira (4), por exemplo, foi a vez dos estudantes de Itatiba (SP) protagonizarem um festival com apresentação de projetos que reuniu cerca de 500 pessoas, entre educadores, especialistas do tema e familiares.

Em momentos como esse - que também acontecem em outros territórios parceiros da iniciativa, como o Norte Gaúcho, Manaus e Caruaru -, o principal objetivo é mostrar como o uso da tecnologia pode contribuir para engajar os estudantes com a aprendizagem e também promover oportunidades para o desenvolvimento integral. Os projetos que são apresentados nas mostras podem estar em formatos variados - como aplicativos, jogos, narrativas e mídias sociais -, mas sempre resultam de um trabalho que, além de apresentar aos jovens o funcionamento de ferramentas tecnológicas, também promove competências como colaboração, criatividade e resolução de problemas.

Durante as mostras, os estudantes explicam ao público o funcionamento de seu projeto, os objetivos que buscaram com cada produção e os resultados alcançados. Os trabalhos são desenvolvidos nas aulas de Letramento em Programação, que acontecem nas próprias escolas em algumas turmas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, durante todo o ano (saiba mais abaixo). Para construir seu projeto, os grupos escolhem seu tema de interesse (como um desafio ou um problema que gostariam de resolver em sua comunidade), definem suas próprias estratégias e contam com o apoio do professor para superar dificuldades e concretizar suas ideias em uma produção final.

“Com as atividades das aulas nós buscamos oferecer aos estudantes oportunidade de dominar tecnologias digitais para resolver problemas reais ou criar e expressar algo relevante para eles; e com os eventos de culminância, como o festival, podemos valorizar e reforçar as aprendizagens do ano, em um clima de compartilhamento e crescimento conjunto”, afirmou o coordenador do Letramento em Programação, Adelmo Eloy.

Nesta edição do Tech Oscar em Itatiba, por exemplo, foram apresentados 44 projetos com temas bastante variados, desde um aplicativo para moradores comunicarem à prefeitura problemas em seu bairro (como buracos na rua), um jogo para conscientizar sobre a importância da vacinação, um colete sinalizador para ciclistas, entre muitos outros. O evento aconteceu na unidade da USF (Universidade São Francisco) em Itatiba, que também é parceira do Instituto e da Secretaria Municipal de Educação para a realização do Letramento em Programação.

Neste ano, o evento integrou o FESTI (Festival Tecnológico Itatiba), organizado em parceria entre Instituto Ayrton Senna, USF, Prefeitura de Itatiba e a Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa, para divulgar projetos educacionais com uso de tecnologia. Durante o dia, os participantes também puderam acompanhar oficinas práticas e palestras relacionadas ao uso da tecnologia na educação.

“Há muitas vantagens em utilizar as tecnologias com os estudantes: elas geram reflexão sobre os conceitos, capacidade de descrição precisa de comandos, depurar as ações esperadas da ferramenta, entre outros aspectos. Não se trata de usar a tecnologia para transmitir conteúdo, mas para auxiliar o processo de construção do conhecimento. Isso exige uma mudança pedagógica de forma a podermos explorar bem os recursos disponíveis, o que é desafiador”, afirmou José Armando Valente, pesquisador da Unicamp, durante a mesa de abertura do FESTI.

Ao final do evento, 10 grupos do Letramento em Programação foram premiados, nas categorias: narrativa, propósito, senso de equipe, múltiplas linguagens e originalidade. A escolha dos grupos destacados foi feita por um corpo de jurados que reuniu membros da equipe do Instituto, da Linx (empresa de tecnologia que é uma das financiadoras do projeto), coordenadores da iniciativa em outros territórios parceiros e profissionais especialistas da USF.

LETRAMENTO EM PROGRAMAÇÃO

O Letramento em Programação promove atividades de iniciação a diversas linguagens de programação através de formações de professores, que podem ser de qualquer disciplina. O objetivo é proporcionar a eles a vivência e a compreensão do pensamento computacional e oferecer recursos para que os educadores possam incorporar e novos conceitos e práticas em sua atuação na escola.

Não é exigido dos educadores conhecimento prévio sobre computação ou informática, ainda que possa haver professores com formação nessas áreas também. O programa busca identificar profissionais que desejam aprender novos conteúdos e atuar no papel de mediador: alguém que não detém todo o conhecimento, mas que está disposto a facilitar o aprendizado dos alunos e aprende junto com eles.

As formações são realizadas em vários momentos ao longo do ano, em reuniões presenciais e também através de um ambiente virtual de aprendizagem. Também há ações de acompanhamento, realizadas pelos coordenadores do programa em cada município, que buscam identificar boas práticas ou desafios comuns que podem ser compartilhados e solucionados em conjunto.

Utilizando ferramentas gratuitas de programação computacional, os professores desenvolvem atividades semanais nas escolas, em turmas de turno ou contraturno (alunos da manhã fazem a aula à tarde e vice-versa). Além da prática da programação, os alunos e educadores desenvolvem, de maneira integrada, competências cognitivas e socioemocionais fundamentais para a vida no século 21, como criatividade, resolução de problemas, colaboração e persistência.

O projeto de Letramento em Programação tem apoio da Boeing e da Linx, e atualmente é desenvolvido em 18 municípios de quatro regiões do Brasil (Sul, Sudeste, Nordeste e Norte), envolvendo 80 escolas, 190 educadores e cerca de 3.200 estudantes.

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