publicado em 10.03.2016 ÀS 12:38

Projeto de Letramento em Programação estrutura novo módulo

10 de março de 2016

Em uma parceria com o Technovation, alunos da rede de Itatiba se preparam para pensar em um aplicativo que resolva algum problema da comunidade em que vivem

Em pleno século 21, viver off‐line ou completamente distante da tecnologia se prova cada vez mais impossível. Aplicativos de celular surgem a todo tempo e ajudam a resolver problemas de mobilidade, tempo e até da vida social. É natural que crianças comecem a se interessar por esse mundo fascinante e se estimulem ao ver essa realidade no ambiente escolar. E, sim, isso pode ser bastante positivo para o futuro dos estudantes. Colocar a programação de computadores em pauta nas escolas é uma forma de garantir autonomia das crianças e jovens no mundo de hoje e, assim, alfabetizar de maneira plena para a vida no século 21.

Pensando nisso, o Instituto Ayrton Senna recebeu nesta quarta‐feira (9) cerca de 35 alunos do 6º ao 9º ano da rede municipal de Itatiba (SP), que fazem parte do projeto Letramento em Programação. A iniciativa já é realizada na cidade desde o ano passado e, a partir de agora, contará com um novo módulo e um desafio para os estudantes: a elaboração de um plano de negócios para um aplicativo que resolva algum problema da comunidade em que vivem.

Em 2015, esses alunos passaram pelo Módulo I, em que aprenderam noções básicas de ciências da computação , e pelo Módulo II , no qual desenvolveram um projeto (em formato de jogo interativo ou história com animação) na plataforma Scratch1 e puderam desenvolver habilidades relacionadas a gestão e planejamento de projetos. Todas as atividades foram realizadas em laboratórios de informática ‐ das escolas, no Módulo I, e da Universidade São Francisco, no Módulo II ‐ no contra turno das aulas, por professores da própria rede e também monitores de informática, capacitados pelo Instituto para o programa.

"Esse novo módulo tem como objetivo principal dar um significado mais amplo para a tecnologia. Agora, eles têm a chance de identificar o que existe ao redor deles de problemas e oportunidades e utilizar essa ferramenta para mudar essa situação. Então, toda a estrutura do Módulo III busca a identificação de um problema na sua comunidade, a proposta de uma solução e o design de um aplicativo para trabalhar nessa solução. Então, é, realmente, empoderar por meio da tecnologia", afirmou Adelmo Eloy, coordenador do projeto Letramento em Programação.

Para a nova fase, o Instituto Ayrton Senna vai contar com a parceira do Technovation2, uma iniciativa voltada para inspirar mulheres a empreender com a tecnologia, que desenvolveu um currículo de 50 horas, abrangendo aspectos técnicos para elaboração de um plano de negócios com uma ferramenta chamada App Inventor. O objetivo é que os alunos trabalhem na concepção de um aplicativo nessa plataforma. Com isso, o projeto espera criar uma ponte entre a ferramenta e a solução de problemas reais. Além, é claro, de seguir desenvolvendo habilidades, como colaboração, pensamento crítico e resolução de problemas ‐ aspectos que sempre integraram o escopo do projeto no Instituto.

"Conversando com o pessoal do Instituto Ayrton Senna, a gente começou a pensar na possibilidade de pegar esse currículo que já estava pronto e que é bem robusto, e aplicar ele não só para as meninas, mas para todo mundo. Por que não deixar isso aberto para todo mundo? O currículo já é aberto gratuitamente para qualquer pessoa. Como um aprendizado, vale para qualquer pessoa", afirmou Christianne Poppi, diretora executiva do Technovation Challenge Brasil.

Durante o encontro na sede do Instituto Ayrton Senna, em São Paulo, os alunos de Itatiba se dividiram em equipes, e tiveram um workshop sobre a ferramenta. Depois de aprenderem como ela funciona, já tiveram as primeiras ideias iniciais para aplicativos que pretendem resolver algum problema da cidade ou de sua comunidade.

"Foi difícil no começo, porque a gente não sabia nada do aplicativo, foi uma experiência nova. Mas depois da primeira vez que a gente usou foi sossegado. Nosso aplicativo é uma rede social para pessoas que sofrem bullying, para que elas possam socializar, coisa que na vida real eles não conseguem. Por ser uma ferramenta mais avançada, tem bem mais possibilidades de uso", explicou Gabriel Silva, 13 anos.  Além do tema bullying, surgiram entre os grupos discussões de aplicativos para violência contra mulher, como tornar o estudo das provas mais divertido, onde encontrar lixeiras pela cidade, acessibilidade para cadeirantes, entre outros.

Para dar continuidade a essa abordagem, ao longo do terceiro módulo, os estudantes terão 30 encontros semanais, com uma hora e meia de duração, distribuídas ao longo do ano e que acontecerão nos laboratórios da Universidade São Francisco. O currículo inicial do Technovation foi adaptado em parceria com o Instituto, para se adequar aos objetivos do projeto. Ao final do ano, os alunos serão convidados a apresentar seus aplicativos em um evento no formato de feira.







1 Scratch: linguagem de programação com fim educacional criada em 2003 pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). 

2 Technovation, competição mundial para meninas em tecnologia, que já impactou mais de 2.750 garotas de Ensino Fundamental e Médio nos últimos 5 anos, em 21 Estados brasileiros. O Technovation é um programa da ONG americana Iridescent, que conecta mentores da área de Ciências e Engenharia com famílias para inspirar crianças e jovens a se tornarem criadores e inventores

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