publicado em 15.12.2014 ÀS 12:42

Jovens protagonistas compartilham aprendizados e constroem projetos de vida

15 de dezembro de 2014

Primeiro Circuito da Juventude do Rio de Janeiro reuniu estudantes de todo o Estado e mostrou impacto da inovação na escola

Por Marília Rocha e Nathália Salvado

"Quando os alunos inovam e usam isso para a comunidade, têm mais chances no futuro. Um aluno que lê, por exemplo, vai ser mais eloquente, vai saber se comunicar com o mundo, que é cada vez mais globalizado. É bom ver que a escola me apoia para ser esse aluno". Esse é um dos depoimentos de Wilson Valmont, de 19 anos, que indica o impacto de uma educação que desenvolve competências cognitivas e socioemocionais em busca de formar cidadãos plenos e capazes de atuar com autonomia no mundo contemporâneo.

Wilson é estudante do 2° ano do Ensino Médio em Nova Friburgo, repetiu duas vezes de ano no Ensino Fundamental e conta que costumava se sentir despreparado para enfrentar os desafios da escola e da vida. Esse cenário mudou tanto que, no início de dezembro, ele foi eleito um dos destaques do Circuito da Juventude, que aconteceu no Rio de Janeiro, ao lado de outros quatro jovens que fazem parte de escolas parceiras do Instituto Ayrton Senna no Estado.

Organizado pelo Instituto, com apoio da Seeduc (Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro), o Circuito possibilitou a troca de experiências entre jovens das 14 regionais de ensino do Estado. No encontro, eles puderam compartilhar os aprendizados e conquistas que tiveram ao longo de 2014 e contar como realizaram diferentes projetos em que se sentiram desafiados pela escola a serem protagonistas na construção de um novo modelo de Ensino Médio, onde equipes escolares e jovens constroem, em parceria, oportunidades educativas que os preparam para lidar com os desafios do século 21.

Wilson faz parte do projeto Jovens Leitores em Ação e mudou a realidade dos alunos de seu colégio, inclusive do 6° ano do Ensino Fundamental, com um projeto de leitura inusitado: a Monstroteca. "Quisemos levar algo novo para os alunos, então usamos papel machê para transformar a caixa dos livros em um monstro. Ele tem um bocão, os alunos colocam a mão lá dentro, sentem as entranhas do monstro e recebem um livro. Todos que pegaram livros, gostaram", conta. Com uma ideia simples, acompanhada de outras atividades, Wilson e os colegas conseguiram motivar alunos mais novos e aumentar a frequência de leitura em até 90%.

O jovem lembra que a partir dos novos projetos, sua relação com a escola mudou e ele sente motivado a tomar iniciativas próprias. Para participar do Circuito, por exemplo, os alunos deviam preparar uma apresentação sobre os desafios que enfrentaram. Com esse mote, Wilson foi além e produziu um documentário. "Resolvi gravar depoimentos de professores, alunos, mães e pais. Queria saber como foi o primeiro contato deles com a leitura. Descobri histórias incríveis, coisas que eu não sabia", diz.

Assim como ele, os 106 jovens que estiveram no CECA (Colégio Estadual Chico Anysio) durante o encontro mostraram que o contexto escolar pode desenvolver competências de comunicação, responsabilidade, colaboração, criatividade, entre outras. Durante o dia, eles se dividiram em cinco equipes, cada uma liderada por um jovem formador ‐ um aluno das escolas participantes que tenha se destacado como protagonista. Representando o CECA, a jovem formadora Júlia Matos contou como mudou sua relação com a educação.

"A escola era individualista, cada um tinha que tirar as melhores notas, ser melhor que os outros sempre. Aqui é diferente, você tem que ser melhor do que você era antes, mas aprende a colaborar, trabalhar em times", explica. "Acho que o jovem não sabe que precisa de uma escola assim. Colocam na nossa cabeça que a gente não quer nada com nada. A escola, quando nos desafia, mostra o que podemos fazer."

Emocionada, Júlia conta que quer ser engenheira, mas que esse não é apenas um sonho. "Consegui traçar um projeto de vida e transformei um sonho em uma meta. A gente sabe o que pensam quando falamos que estudamos em uma escola estadual, mas aqui é diferente e saber que estamos participando da construção dessa nova escola, me dá vontade de chorar, porque eu estou participando dessa mudança."

O evento

O Circuito da Juventude é organizado pelo Instituto Ayrton Senna desde 2004 com redes de municípios parceiros em todo o Brasil, mas esta é a primeira etapa estadual no Rio de Janeiro. No evento, estavam representantes de escolas onde são desenvolvidos componentes da Solução Educacional para o Ensino Médio, resultado de uma parceria entre o Instituto e a Seeduc (Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro) como forma de apoiar a rede na oferta de ensino de qualidade e no desenvolvimento de competências socioemocionais dos estudantes.

Implementada no modelo completo no CECA, a Solução Educacional também tem componentes operando em escolas do ProEMI (Programa Ensino Médio Inovador, do governo federal) e do JLA (Programa Jovens Leitores em Ação), por meio de projetos e formas de articulação com o currículo tradicional.

Durante parte do dia, os jovens participaram de oficinas para a apresentação de um Pecha Kucha (pronuncia‐se "petchá kutchá", palavra japonesa que significa "bate papo") e decidirem qual deles mais se destacou. O Pecha Kucha é um formato de apresentação oral criado em 2003 com o objetivo de incentivar as pessoas a trocarem suas ideias e experiências, de maneira rápida e eficiente. A regra é preparar um PowerPoint contendo 20 imagens, cada uma delas acompanhada de uma fala de até 20 segundos, totalizando 6 minutos e 40 segundos de apresentação.

Para chegar à etapa estadual, os estudantes já haviam passado pela etapa escolar do Circuito, em que fizeram suas apresentações dentro de suas escolas e foram escolhidos como representantes pelos colegas. Paralelamente, nas últimas semanas foi promovida também uma interação virtual entre jovens do Rio de Janeiro e São Paulo, pela plataforma Pinterest.

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