Dada a importância que o domínio da língua escrita tem como fator de mobilidade social, estar ou não plenamente alfabetizado determina não só a vida presente das crianças, mas principalmente sua vida futura.

A alfabetização está intrinsecamente ligada a questões mais amplas do processo de escolarização. Ler e escrever com fluência e compreensão é a porta que permite acesso a outras tantas competências e conhecimentos fundamentais para a superação de barreiras culturais, econômicas e sociais.

Embora o Brasil tenha ampliado o acesso à escola a partir de meados dos anos 1990, ainda hoje a busca pela qualidade se depara com dificuldades para a permanência de crianças e jovens ao longo de toda a Educação Básica, seja pelas altas taxas de reprovação, abandono e distorção idade-série, seja pela baixa aprendizagem. Isso cria circunstâncias como a do chamado analfabeto funcional, para quem o nível de leitura e escrita não permite atender às exigências do cotidiano e nem a participação cidadã na construção social.

A alfabetização tem ainda um importante papel de articulação entre as diferentes áreas do conhecimento e suas linguagens ao longo de todo o percurso da escolarização. 

Com base nos documentos legais em vigor, o compromisso que a sociedade brasileira assumiu com suas crianças é de que possam estar alfabetizadas até os sete anos, num processo que precisa ser iniciado minimamente aos quatro anos, com a aquisição das competências leitora e escritora evoluindo gradativamente em complexidade ano a ano, para que todas as crianças possam estar plenamente preparadas para seguir sua vida escolar e concluir com sucesso a Educação Básica. Isso não significa iniciar, já aos 4 anos, um método de alfabetização formal e sistematizado, mas sim um trabalho com leitura, jogos e brincadeiras que são preditores de alfabetização, como por exemplo o trabalho com rimas e sons, identificação de letras e o som delas, como previsto na BNCC.

 

 

 

A alfabetização, desenhada e implementada como política pública, deve ser desenvolvida como processo, articulada a outras secretarias de governo, e não como uma ação pontual que pode mudar quando um novo executivo assume a liderança local. Ações efetivas e eficientes, com processos de gestão claros e objetivos, permitem gerar novas evidências e aprimorar constantemente as ações da política com relação aos documentos e materiais referenciais, ao sistema de monitoramento e avaliação e, principalmente, ao aprimoramento dos educadores que podem, e devem, se constituir ao longo do tempo numa equipe de profissionais alfabetizadores, preparados para alfabetizar todos aqueles que ainda não dominam o sistema de escrita alfabética, independentemente da idade.

A alfabetização, desenhada e implementada como política pública, deve ser desenvolvida como processo, articulada a outras secretarias de governo, e não como uma ação pontual que pode mudar quando um novo executivo assume a liderança local. Ações efetivas e eficientes, com processos de gestão claros e objetivos, permitem gerar novas evidências e aprimorar constantemente as ações da política com relação aos documentos e materiais referenciais, ao sistema de monitoramento e avaliação e, principalmente, ao aprimoramento dos educadores que podem, e devem, se constituir ao longo do tempo numa equipe de profissionais alfabetizadores, preparados para alfabetizar todos aqueles que ainda não dominam o sistema de escrita alfabética, independentemente da idade.

É essencial, também, que as práticas e os conhecimentos que embasam a alfabetização, inclusive os provenientes das neurociências, sejam discutidos pelas equipes escolares (professores, coordenadores pedagógicos e diretores) e das secretarias de Educação (profissionais com função de apoio aos docentes).

O acompanhamento é determinante nos resultados. A maioria das redes de ensino ainda se preocupa com o monitoramento apenas nos anos finais de escolarização, deixando o percurso aos cuidados das escolas. Embora os resultados da aprendizagem na fase inicial de escolarização sejam perceptíveis pela criança, pelos colegas de turma, pelos educadores e pelas famílias poucos meses após a entrada da criança na escola, ainda não se incorporou no universo escolar a necessidade de ações efetivas para atender rapidamente a criança em defasagem. Sem recursos para mudar a própria situação, ela permanece com dificuldades cada vez maiores para prosseguir na aprendizagem, porque à medida que o tempo passa, as exigências de uso da língua escrita aumentam, mesmo em uma sala de alfabetização. 

Essas breves reflexões sobre alfabetização apontam para a extrema relevância de tratar com mais seriedade e acompanhamento essa etapa escolar. Independentemente do método escolhido por cada unidade ou rede de ensino, é preciso haver aprofundamento nas discussões, espaço de debates e construção de medidas concretas para reverter o cenário atual da alfabetização no Brasil. Isso inclui medidas de:

- Gestão

- Formação de alfabetizadores

- Construção de propostas político-pedagógicas para a educação integral

- Escolha de determinadas metodologias de trabalho

GESTÃO DA ALFABETIZAÇÃO

GESTÃO DA ALFABETIZAÇÃO

Na vida em geral, o presente é sempre fruto de decisões passadas e definidor da qualidade do futuro, mas em educação, especificamente, assume um peso enorme quando sabemos que são milhões de vidas que a cada ano entram nos sistemas de ensino com a crença de suas famílias de que lá trilharão os caminhos do sucesso pessoal e profissional, ao longo dos 14 anos da Educação Básica.

A cada ano escolar perdido, ou de má qualidade, mais distante fica o futuro da criança, e o sonho de uma vida melhor. E quanto mais demorado for o resgate da aprendizagem comprometida, maior será a dificuldade para superá-la e para reter o estudante na escola. Quando entram em cena a reprovação, o abandono e a distorção idade-série, a criança ou o jovem assume um fracasso que dificilmente é seu, mas que lhe é indevidamente atribuído na maioria das vezes.

Essa cadeia de fatos gera insegurança e baixa autoestima, refletidas nos rótulos de “reprovado” ao final do ano letivo, e “repetente” no ano seguinte, ou ainda “evadido” quando deixa de retornar à escola no ano subsequente, mesmo que tenha sido anteriormente aprovado. Estudantes que passam por essas experiências sentem-se desmotivados e tendem a abandonar a escola antes que a escola os reprove, porque assumem que não vão aprender, ou que a escola não tem significado para sua vida, e a experiência mostra que a precariedade da alfabetização em Língua Portuguesa, principalmente, e em Matemática, funciona como disparador desse efeito dominó.

Assim, gestores precisam inserir em seus planos, em todos os âmbitos do processo educacional, ações de superação de dificuldades de aprendizagem, principalmente nos anos dedicados à alfabetização. O alcance da política de alfabetização de uma rede depende da verdadeira articulação e alinhamento entre todas as instâncias, e será tanto maior quanto for o compromisso dos profissionais para com o sucesso de cada criança e a crença no potencial dos estudantes e no seu próprio. A tabela a seguir sintetiza algumas das principais ações em cada âmbito.

 

NO ÂMBITO DA SECRETARIA

  • Unidade conceitual sobre o que vem a ser um estudante alfabetizado: todos precisam ter clareza sobre as habilidades previstas para serem desenvolvidas até o final de cada ano do ciclo de alfabetização.
  • Articulação entre o currículo da pré-escola e o do primeiro ano do Ensino Fundamental, de modo que sejam um continuum na vida dos alunos.
  • Equipes integradas por profissionais com competência técnica em alfabetização para apoiar as equipes escolares.
  • Calendário escolar com garantia das horas letivas legais e acompanhamento de seu cumprimento.
  • Monitoramento da frequência dos profissionais em cumprimento aos contratos de trabalho, com o intuito de reduzir as ausências docentes.
  • Instrumentos de avaliação para diagnosticar e acompanhar o processo de alfabetização em toda a rede.
  • Disponibilidade de infraestrutura para retomadas do processo de aprendizagem e ensino no contraturno, com foco nas dificuldades detectadas nas avaliações.
  • Reuniões sistemáticas com a presença das equipes para análises situacionais, definições de ações e planejamento da intervenção no campo da alfabetização.

 

NO ÂMBITO DA ESCOLA

  • Proposta pedagógica explícita no que concerne ao conceito de estudante alfabetizado.
  • Cumprimento do calendário escolar/horas de aula.
  • Coordenador pedagógico assíduo e com competência técnica para apoiar os professores alfabetizadores.
  • Equipe de professores com conhecimentos específicos em alfabetização, teóricos e práticos.
  • Acompanhamento da frequência do professor, inclusive às reuniões coletivas.
  • Reuniões coletivas e sistemáticas dos professores alfabetizadores com a presença do coordenador pedagógico para análise do desenvolvimento de seus alunos e elaboração de planos de intervenção que respondam à particularidade das dificuldades.
  • Infraestrutura para atendimento pontual dos estudantes que necessitarem de horário suplementar para superação das dificuldades.
  • Instrumentos de registro individual da aquisição das competências pelos estudantes, inclusive do período suplementar como aulas de reforço.
  • Instrumentos de avaliação para aplicação ao longo do ano e também para aferição do resultado das intervenções.

 

NO ÂMBITO DA SALA DE AULA

  • Professor com clareza sobre o conceito de estudante alfabetizado e das habilidades requeridas para cada um dos anos do ciclo de alfabetização.
  • Profissional conhecedor da diversidade de conceitos, teorias e mecanismos de aprendizagem, metodologias e materiais com foco na alfabetização.
  • Ambiente alfabetizador com disponibilidade de recursos como livros, jogos etc.
  • Registro e compromisso com a presença do estudante. 
  • Registro e compromisso do professor com sua própria presença.
  • Estudantes e família acolhidos e acreditados.

 

 
EM RESUMO: O planejamento integrado de uma política de alfabetização deve se fazer presente em todas as instâncias do processo educacional, tanto no órgão central da secretaria de Educação como nas unidades escolares, assim como em todas as fases do processo de aprendizagem, que envolve as rotinas da sala de aula, do funcionamento da escola e do acompanhamento e apoio pela secretaria de Educação. Mas seu alcance será tanto maior quanto for o compromisso dos profissionais para com o sucesso de cada criança e a crença no potencial dos estudantes e no seu próprio.

FORMAÇÃO DE ALFABETIZADORES

FORMAÇÃO DE ALFABETIZADORES

É essencial que os gestores educacionais destinem atenção especial à formação de um “corpo” de alfabetizadores (coordenadores pedagógicos e docentes) que, ao longo de sua carreira, poderão ensinar mais e melhor aos alunos sob seus cuidados. Para isso, é preciso tomar providências em diversas esferas, detalhadas a seguir.

Respeitar a consciência histórica, isto é, compreender as condições dadas no presente para construir uma política educacional que garanta o trabalho consciente dos profissionais da educação e a plena alfabetização dos alunos.

Construir preceitos específicos da política educacional regional/local, de forma coletiva, com todos os atores educacionais e famílias definindo um plano de indicadores e metas para a alfabetização.

Assegurar recursos humanos suficientes para atendimento às necessidades administrativas e pedagógicas da secretaria de Educação e das unidades escolares.

Compor na secretaria de Educação uma equipe responsável pela formação e contato periódico com os coordenadores pedagógicos e docentes alfabetizadores das unidades escolares.

Definir, desenvolver e avaliar plano de formação continuada assegurando sua qualidade e os direitos laborais dos profissionais envolvidos tanto da secretaria de Educação como das escolas.

Afiançar planos de carreira que atraiam e mantenham profissionais com atuação eficiente e efetiva nas funções de coordenadores pedagógicos e docentes no ciclo de alfabetização das redes de ensino.

Manter o bom funcionamento estrutural das unidades escolares, com apoio de espaços na comunidade, se necessário.

Acompanhar e promover o cumprimento da proposta pedagógica específica e do calendário escolar na rede de ensino e nas escolas.

Definir, promover e avaliar o alcance e o cumprimento de indicadores e metas para a garantia do plano de ação de cada turma de alfabetização das escolas.

Garantir a coleta e análise de dados e resultados educacionais atualizados da rede de ensino, identificando as intervenções necessárias da escola como um todo e de cada turma e aluno individualmente.

Em todas as esferas acima, é importante pensar alternativas que atendam às diferenças individuais de professores e alunos, num processo colaborativo e criativo suficientemente flexível para se adequar aos diferentes desafios do processo de alfabetização.

Esses desafios são decorrentes das muitas condições para a proficiência de leitura e escrita, como a aquisição do princípio alfabético, da capacidade de decodificação, da proficiência leitora, da consciência fonológica e de sua articulação com a linguagem oral.

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Os áudios e textos abaixo detalham esses temas relacionados a alfabetização e podem ampliar seu conhecimento e também contribuir para sua compreensão sobre o processo de alfabetização.

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Aquisição do princípio alfabético

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Aprender a decodificação 

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Caminhos para a proficiência leitora 

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Consciência fonológica

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Linguagem oral e compreensão leitora 

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Linguagem oral e compreensão leitora 

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PROPOSTA POLÍTICO-PEDAGÓGICA 
PARA EDUCAÇÃO INTEGRAL

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Os áudios e textos abaixo detalham esses temas relacionados a alfabetização e podem ampliar seu conhecimento e também contribuir para sua compreensão sobre o processo de alfabetização.

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Aprender e decodificar

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Caminhos para a proficiência leitora 

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Consciência fonológica

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Linguagem oral e compreensão leitora 

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PROPOSTA POLÍTICO-PEDAGÓGICA
PARA EDUCAÇÃO INTEGRAL

A proposta político-pedagógica é um instrumento que define a escola e explicita sua autonomia, pois resulta de reflexões de toda a comunidade escolar sobre sua missão e visão, parte de análises situacionais de resultados e contextos, e define currículo e práticas que mais se adequam aos objetivos e anseios de sua comunidade, sem se afastar da política definida nos planos de educação do município ou Estado.

O compromisso com o desenvolvimento integral de crianças e jovens, conforme colocado nas 10 competências gerais da BNCC, também deve estar claro nesse instrumento para a formação da cidadania, presente e futura. A seguir, disponibilizamos uma sugestão de roteiro para a elaboração da proposta pedagógica na perspectiva da educação integral.

 DIAGNÓSTICO
É preciso que a escola se conheça e que todos conheçam a escola. A transparência no trato dessa questão é fundamental. Os estudantes são sujeitos concretos, com nomes, história, conhecimentos, aspirações, sonhos e emoções. O ensino proposto na educação integral não pode ser desvinculado desses fatores. Ao mesmo tempo, é preciso que os professores sejam valorizados, o que significa terem direito a um espaço de trabalho digno. 
CURRÍCULO E BNCC
A elaboração do currículo é elemento essencial para a legitimidade da proposta pedagógica e deve levar em conta a BNCC, os princípios oriundos da secretaria de Educação e, de modo muito especial, a realidade da escola e do cidadão que a escola quer formar. A BNCC propõe, do ponto de vista nacional, o acesso aos conhecimentos básicos necessários ao exercício da vida cidadã. A parte diversificada, que também é obrigatória, corresponde a conteúdos da realidade regional e local. A proposta pedagógica dá oportunidade a essa integração entre o nacional e o local.
AVALIAÇÃO E MONITORAMENTO

A proposta pedagógica exige um processo contínuo e participativo de avaliação, sejam internas dos alunos ou externas à escola. Nesse caso, destaca-se o papel da equipe gestora da escola para incentivar e conduzir ações de monitoramento que permitem atualização sistemática do diagnóstico e, a partir deste, embasar replanejamentos que atendam à realidade detectada.

FAMILÍA E COMUNIDADE
Família e comunidade são elementos determinantes no processo de aprendizagem dos alunos e devem ser encorajadas a participar de momentos de integração, inclusive da construção da proposta pedagógica, por meio do Conselho Escolar.
CLIMA ESCOLAR
A boa convivência entre professores, alunos e outros profissionais da educação na escola é fator importante para o sucesso da aprendizagem dos alunos. Esta é uma atividade de todos, mas na liderança dos gestores, um desafio permanente
Diagnóstico É preciso que a escola se conheça e que todos conheçam a escola. A transparência no trato dessa questão é fundamental. Os estudantes são sujeitos concretos, com nomes, história, conhecimentos, aspirações, sonhos e emoções. O ensino proposto na educação integral não pode ser desvinculado desses fatores. Ao mesmo tempo, é preciso que os professores sejam valorizados, o que significa terem direito a um espaço de trabalho digno. 
Currículo e BNCC A elaboração do currículo é elemento essencial para a legitimidade da proposta pedagógica e deve levar em conta a BNCC, os princípios oriundos da secretaria de Educação e, de modo muito especial, a realidade da escola e do cidadão que a escola quer formar. A BNCC propõe, do ponto de vista nacional, o acesso aos conhecimentos básicos necessários ao exercício da vida cidadã. A parte diversificada, que também é obrigatória, corresponde a conteúdos da realidade regional e local. A proposta pedagógica dá oportunidade a essa integração entre o nacional e o local.

Avaliação e monitoramento

A proposta pedagógica exige um processo contínuo e participativo de avaliação, sejam internas dos alunos ou externas à escola. Nesse caso, destaca-se o papel da equipe gestora da escola para incentivar e conduzir ações de monitoramento que permitem atualização sistemática do diagnóstico e, a partir deste, embasar replanejamentos que atendam à realidade detectada.

Família e comunidade Família e comunidade são elementos determinantes no processo de aprendizagem dos alunos e devem ser encorajadas a participar de momentos de integração, inclusive da construção da proposta pedagógica, por meio do Conselho Escolar.
Clima escolar A boa convivência entre professores, alunos e outros profissionais da educação na escola é fator importante para o sucesso da aprendizagem dos alunos. Esta é uma atividade de todos, mas na liderança dos gestores, um desafio permanente

É importante que a proposta pedagógica seja revisitada no início de cada ano letivo, gerando ações concretas para o constante processo de ajustes de forma que a   escola siga na concretização do ideal educacional por ela definido. É um processo desafiador e requer um esforço coletivo, liderado pelo diretor da escola, envolvendo gestores, professores, a equipe técnica, os pais e os alunos. É essa participação que, traduzida em compromisso, poderá viabilizar a execução da proposta pedagógica como um processo, continuado e democrático, de reflexão e discussão permanentes sobre a atuação da escola.

A partir do planejamento coletivo, o diretor terá parâmetros para decidir sobre as questões administrativas e financeiras da escola. 

METODOLOGIAS DE TRABALHO

METODOLOGIAS DE TRABALHO

Os estudantes e a escola do século 21 trazem diferentes necessidades, em termos de relações cognitivas e socioemocionais, porque já nasceram no chamado mundo VUCA (acrônimo para volátil, incerto, complexo e ambíguo, em inglês). O papel da tecnologia e das mídias sociais favorece o repensar de modelos e metodologias de trabalho que tornam fundamentais a construção de aprendizagens significativas, o desenvolvimento de competências cognitivas e socioemocionais e uma visão mais transdisciplinar e sistêmica do conhecimento.

Para fazer frente a esse cenário, as metodologias conhecidas como ativas têm ganhado espaço nas pesquisas e discussões acadêmicas porque oferecem alternativas pedagógicas que colocam o foco do processo de ensino e aprendizagem no estudante, envolvendo-o em estratégias de descobertas, investigação e resolução de problemas como protagonista, com um papel ativo no seu processo de aquisição de conhecimento. 

Todos os estudos e pesquisas sobre o tema a ser aprendido são feitos pelo estudante e a sala de aula é o espaço mediado pelo professor em que ele tira dúvidas, completa informações, discute, reflete e constrói conhecimento. O planejamento docente deve contemplar a criação de trilhas de aprendizagem que desafiarão o aluno a percorrê-las com motivação, autonomia e engajamento. Desta forma, o estudante aprende a controlar o tempo previsto para o desenvolvimento das atividades que antecipam o contato com o professor, o que permite contemplar seu próprio ritmo de aprendizagem.

Imprime às práticas pedagógicas a importância de considerar o aprendizado como um processo incessante, inquieto, curioso e, sobretudo, permanente em busca do saber. Essa metodologia define que a mediação do professor nas situações de aprendizagem tem como objetivo fomentar a reflexão dos estudantes, em vez de apresentar conclusões de forma pronta e taxativa. Por isso fazer boas perguntas é o foco dessa metodologia.

Tem como foco a aquisição de conhecimentos significativos porque fomenta a autonomia intelectual ao incentivar o protagonismo do estudante na busca, análise, interpretação e articulação de informações de diversos campos do saber. Favorece competências socioemocionais como curiosidade, colaboração, organização, foco, entre outras e ainda promove a integração curricular quebrando a rígida organização disciplinar da escola. 

A partir de uma atividade, o professor conecta seus estudantes a um contexto maior do que estão vivendo, orienta a organização de grupos, acompanha o desenvolvimento dos trabalhos e avalia o processo, resultado e aprendizagem considerando o envolvimento e o compromisso de todos num exercício de reflexão e resolução de problemas. O modelo assume papel fundamental na construção do conhecimento por favorecer a criticidade, criatividade, curiosidade e superação da reprodução.

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