A palavra avaliar, do latim a + valere, significa atribuir valor ou mérito ao objeto em estudo. Ela tem sido usada para explicar inúmeros fenômenos distintos. Todo mundo faz avaliação. A avaliação ocorre tanto em atividades pessoais rotineiras como a escolha do vestuário a cada dia, como em quaisquer outras ações. Quando avaliamos, definimos objetivos, selecionamos critérios, medimos e analisamos informações, ou seja, elaboramos um processo considerando o contexto e que nos dê um resultado satisfatório.
 

Na educação não é diferente. A avaliação deve acompanhar todas as etapas do processo educativo, no sentido de aprimorá-lo e ancorar o trabalho dos gestores educacionais para diagnosticar resultados, melhorar processos e realizar intervenções, num círculo virtuoso que tem como finalidade garantir a qualidade da educação. Ela tem um papel importante para subsidiar os educadores na definição de estratégias formativas mais adequadas às reais necessidades de seus estudantes, e os sistemas de ensino na formulação de políticas púbicas.

 

Por meio da avaliação é possível constatar o grau de consecução dos objetivos (comparando metas preestabelecidas com os resultados obtidos até o momento), estabelecer necessidades e prioridades, determinar ajustes no planejamento, indicar necessidade de tomada de decisões para superar dificuldades detectadas, escolher beneficiados e traduzir objetivos em metas, entre outros.

 

Dois quesitos devem ser observados, para verificar a eficiência e eficácia das estratégias educacionais adotadas: a aprendizagem dos alunos e o processo de ensino (este último inclui as medidas de acesso, de fluxo escolar e de características da escola). A utilização de indicadores variados é um importante aliado na construção de todas essas análises.

 

A construção de indicadores quantitativos ou qualitativos é imprescindível para a implementação e gestão de políticas públicas e dos planos educacionais, ao facilitar o monitoramento dos trabalhos e dos processos. Na perspectiva da educação integral, o olhar avaliativo deve se dirigir para além do conhecimento de conteúdos programáticos pelos alunos, e acompanhar o desenvolvimento de competências socioemocionais, também importantes para impulsionar o aprendizado e para a conquista de diversas realizações na vida.

 

Avaliações devem ser, antes de tudo, fontes de informação e de diagnóstico para transformar realidades. Se não forem utilizadas rapidamente para superar problemas, servirão apenas para classificar escolas e redes ou premiar/punir aquelas que ficaram além ou aquém do esperado ou desejado.

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Um pouco de história da avaliação

Foi a partir do final da década de 1980 que o tema avaliação em grande escala ganhou espaço nas agendas de educação de vários países, e passou a ser objeto de pesquisa de centros e organismos diversos, tais como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), entre outros, em estudos que envolvem países de todos os continentes. Uma das mais famosas avaliações é o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), realizado pela OCDE, que avalia alunos de 15 anos. O Brasil deu luz efetivamente à questão dos estudos internacionais, bem como ingressou no campo das avaliações nacionais, a partir dos anos 1990, instituindo programas como o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), a Prova Brasil, o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e a Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA). Além das avaliações nacionais, vários Estados e municípios também organizaram sistemas locais e regionais de avaliação das aprendizagens.

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Professores e gestores escolares devem ter mecanismos de avaliação ao longo do ano, para verificar como cada aluno está se desenvolvendo ou para reconduzir o processo, caso o desempenho fique aquém do esperado. Esse olhar avaliativo constante permite investir na individualidade da criança e respeitar sua bagagem cultural, sem, contudo, perder de vista o planejamento e as metas a serem alcançadas no processo de aprendizagem.

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Tipos de avaliações

Alguns estudiosos distinguem as avaliações educacionais como diagnóstica, formativa e somativa. A primeira avalia habilidades e conhecimentos pré-estabelecidos, ou seja, até onde a criança avançou; a formativa é realizada durante o ano letivo e dá parâmetros ao educador se os objetivos foram alcançados ou não para possíveis intervenções, que deem ser rápidas e objetivas; a somativa avalia resultados da aprendizagem no final do processo, ou ano letivo, e serve como diagnóstico para o planejamento do próximo ano.

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A avaliação em geral identifica em quais aspectos ou conteúdos o aluno apresenta maiores dificuldades e como tais defasagens se apresentam. Cumpre ao educador, a partir desses dados, definir a estratégia a ser empregada como intervenção para esses estudantes: ensino individualizado, aulas complementares, rever o planejamento? A grande questão é saber por que o aluno não está aprendendo. O acompanhamento atento para sua participação em classe, a análise de suas lições de casa e de seu caderno fornecem preciosos subsídios sobre o seu desempenho.

 

As reuniões pedagógicas da equipe escolar devem promover discussões sobre quais práticas promovem melhores aprendizagens, se a proposta de ensino foi bem elaborada, se as metas estão bem dimensionadas e se todos estão alinhados com as estratégias utilizadas. Essa avaliação no processo, dentro da sala de aula ou na articulação entre escola e secretaria de Educação, tem de ser realizada de forma contínua e sistemática, com o objetivo de diagnosticar e atuar rapidamente para a superação das dificuldades que impedem o desenvolvimento pleno e contínuo do estudante.

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A avaliação no Ciclo de Alfabetização

A concepção da aprendizagem como um processo contínuo tem sido particularmente destacada na alfabetização, uma vez que esta dificilmente se dá em um ano escolar apenas; garantir um tempo maior para que todas as crianças possam se apropriar da leitura e da escrita na língua materna e na linguagem matemática é uma questão essencial e que deve ser garantida de modo efetivo.

 

Para acompanhar esse processo, é importante que a rede de ensino realize um teste diagnóstico no início de cada ano letivo. Desse modo, torna-se possível identificar a situação de aprendizagem de cada um dos alunos. Não se trata de elencar os erros para tratá-los, mas sim de considerá-los como fonte de aprendizagem para desenhar e rever práticas pedagógicas e organizar estratégias educativas. A leitura analítica e consistente das avaliações deve servir para criar mudanças positivas.

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O diagnóstico dos níveis de alfabetização

A primeira condição para que o professor exerça sua função alfabetizadora é conhecer o que as crianças já sabem ou o que ainda precisam desenvolver, em relação ao nível de leitura, escrita e conhecimento matemático. O Instituto Ayrton Senna propõe uma avaliação que classifique os alunos em quatro níveis de alfabetização, como no modelo simplificado a seguir:

Nível em português e matemática
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Acompanhamento e intervenções

Criar um ambiente favorável ao desenvolvimento pleno do aluno, com foco na educação integral, principalmente daqueles que apresentam dificuldades ou ritmo diferente de aprendizagem, pode requerer adequações no currículo ou na forma como ele é implementado em cada turma.

 

Como saber qual é o momento para isso, ou quais as melhores alternativas para superar os desafios concretos de cada grupo? Mais uma vez a avaliação vem para ajudar. Na maioria dos casos, o acompanhamento, a observação sistemática e o registro do desempenho dos alunos atendem à avaliação processual e conferem agilidade efetiva para readequações. Podem ser necessários, em outras situações, diagnósticos mais elaborados e acompanhamento por profissionais especializados que, preferencialmente, integrem uma equipe multidisciplinar da secretaria da Educação.

 

A observação e o atendimento ao aluno precisam acontecer desde o início do ano letivo e a qualquer momento, ou seja, sempre que a criança demonstrar dificuldades para acompanhar a média da turma e apresente a perspectiva de “ficar para trás”. Quanto mais rápido se der a identificação da dificuldade e da solução, maior possibilidade de sucesso a criança terá. Organização de rotinas de visitas às escolas pelas equipes da secretaria de Educação e observação de aulas feita pelo coordenador pedagógico também são importantes formas de avaliação. A ideia é que professores e gestores identifiquem rapidamente os pontos fortes e fracos, as oportunidades e as ameaças, em tempo hábil para a adoção das intervenções de superação, o que somente poderá ser feito se o acompanhamento for eficaz.

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Indicadores e metas

Indicadores têm um papel de destaque no processo pedagógico ao balizarem, com suas respectivas metas, as escolhas do “aonde queremos chegar” e “como chegar”. Podemos afirmar que um indicador é uma fotografia de determinada situação em determinado momento. Assim, na criação e/ou escolha de um indicador contam alguns elementos, como a facilidade e a rapidez de acesso, a periodicidade de sua atualização, as múltiplas possibilidades de análise frente aos demais indicadores, a estabilidade e confiabilidade das informações, bem como o custo para sua obtenção.

 

A partir da experiência com escolas públicas, e das diversas avaliações externas aplicadas, o Instituto Ayrton Senna observou, no geral, e com pequenas alterações entre as diversas redes parceiras, que os alunos que se destacavam pelo bom desempenho acadêmico não faltavam às aulas, liam bastante e realizavam as tarefas de casa. Ou seja, ser frequente às aulas, saber ler e realizar a lição de casa se revelaram fatores decisivos para o sucesso da aprendizagem, e por trás desses comportamentos estão competências socioemocionais passíveis de desenvolvimento, como foco, entusiasmo, curiosidade para aprender e resistência ao estresse, entre outras. Criou-se então, um conjunto de indicadores e metas que são acompanhados pelas redes de ensino em um sistema de acompanhamento online. No caso do Ciclo de Alfabetização, são acompanhados:

 

Indicador e meta

As metas constituem o nível do desempenho que se pretende obter, seja para curto ou longo prazo. Elas são os fins que guiam as ações e, neste caso, incluem um ponto numérico a ser atingido e dão um foco comum para a equipe.

 

A análise sistemática das avaliações da aprendizagem, à luz dos indicadores elencados, funcionará como uma espécie de “termômetro” para a identificação do grau de sucesso. Isto é, o quão perto ou não a unidade escolar e a rede se encontram das metas inicialmente definidas, e qual a qualidade do sucesso.

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