publicado em 2 de maio de 2022

Instituto realiza evento “Inovação para o desenvolvimento do educador” para professores e gestores de todo o país

Transmissão ao vivo reuniu especialistas de todo o país para discutir formação e desenvolvimento de professores

No Dia da Educação, celebrado em 28 de abril, o Instituto Ayrton Senna anunciou um novo canal voltado para formação de educadores - a plataforma humane, espaço gratuito de desenvolvimento e apoio ao educador brasileiro. O lançamento aconteceu durante o evento "Inovação para o desenvolvimento do educador", que teve condução da educadora e especialista em formação do Instituto, Sílvia Lima. A transmissão completa do evento, que teve participação de especialistas e lideranças em educação, já foi visualizada por mais de 3 mil pessoas.

O anúncio foi feito por Roberto Campos de Lima, vice-presidente de Expansão e Relações Institucionais do Instituto, que mostrou o percurso para o desenvolvimento da plataforma enquanto um espaço para aprender, ensinar, compartilhar, cocriar experiências de desenvolvimento para que um maior número de educadores possa fortalecer suas práticas e colaborar com seus pares. A plataforma, em seu primeiro momento, oferece uma jornada completa de desenvolvimento socioemocional para professores, e uma Biblioteca de Alfabetização, disponível para Coordenadores Pedagógicos, para fortalecer a recuperação dessa etapa que é um dos pilares da trajetória escolar dos estudantes.

O evento foi aberto pela presidente do Instituto, Viviane Senna, que destacou o trabalho desenvolvido ao longo das últimas décadas e a importância de ter um olhar atento para as necessidades da educação em cada período específico. A presidente abordou ainda o contexto atual, agravado pela pandemia, em que se encontra a necessidade de recuperar a aprendizagem defasada ao lado da busca pelo desenvolvimento de competências que realmente contribuam para a formação plena do estudante do século 21. Nesse cenário, o professor vivencia e enfrenta uma série de desafios, agravados pela pandemia, o que reforça a necessidade de pensar nele a partir de seu fortalecimento.

             Na sequência, Tatiana Filgueiras, vice-presidente de Educação, Inovação e Estratégia do Instituto, comentou a maneira como as evidências permitem entender quais competências são as mais relevantes para o enfrentamento dos desafios atuais. Além disso, abordou a necessidade de estender a perspectiva de desenvolvimento socioemocional também para os professores, mostrando como as pesquisas do Instituto caminham nesse sentido.

Desde 2011, quando a temática do socioemocional de educadores entrou do radar das pesquisas do Instituto, foram realizadas diversas iniciativas - estudos em parceria com universidades brasileiras e internacionais, revisão de literatura, construção de uma taxonomia, e organização dos achados foram alguns dos procedimentos que permitiram identificar quais competências são importantes para apoiar a atuação dos professores em sua qualidade instrucional e enfrentamento de situações variadas. A partir dessa matriz, foi desenvolvido um instrumento de monitoramento dessas competências, que permite ao professor exercitar o seu autoconhecimento e traçar o seu plano de desenvolvimento pessoal (PDP) com mais clareza. Tanto o instrumento quando o PDP estão disponíveis gratuitamente na plataforma humane.

Mediando a mesa “Fortalecimento do professor e educação continuada”, a presidente do Conselho Nacional de Educação, Maria Helena Guimarães, iniciou os debates questionando todos os participantes sobre qual deve ser o foco das ações formativas necessárias para o enfrentamento dos desafios contemporâneos. Cláudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas, abordou o papel atual dos profissionais da educação como uma transição – é preciso transpor a visão que se tinha até pouco tempo no ambiente acadêmico, que considerava o educador em seu viés expositivo, para a ideia de um professor mediador, que apoia seus estudantes na construção do conhecimento.

Mozart Neves Ramos, vice-presidente do Conselho do Instituto Ayrton Senna, abordou essa visão contemporânea nas diretrizes de formação de professores e a importância de que elas sejam baseadas em evidências, destacando a necessidade de considerar que a formação inicial não é capaz de abarcar toda a complexidade da profissão docente e que é nesse contexto que a formação continuada se faz necessária. Raquel Teixeira, Secretária Educação do Estado do Rio Grande do Sul, comentou a educação a partir da prática vivenciada no estado gaúcho, destacando como característica mais forte do cenário atual a transformação e disrupção. Nesse contexto complexo, a implementação de referenciais importantes, como a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) acontece em paralelo com outros desafios, como a necessidade de enfrentar em sala de aula a multiplicidade de situações vivenciadas pelo estudante no período de isolamento, o que agravou desigualdades sociais que já eram imensas.

Na sequência, Cláudia Costin falou sobre como gestores e lideranças educacionais podem contemplar as novas temáticas e abordagens educacionais na formação de professores, contemplando também a importância de uma gestão que apoie ações formativas, para a recuperação da aprendizagem desde a alfabetização até a conclusão da educação básica. “O que fica claro é que vamos ter que fazer as coisas de uma outra forma, olhando o gestor como o grande criador de cultura de colaboração dentro da escola. Autores falam que o diretor, mais do que qualquer coisa, deveria ter o tempo e o espaço para criar um processo de colaboração entre professores”, destacou Costin.

Mozart detalhou os avanços da educação nacional em identificar as principais características para a formação inicial e continuada de todos os educadores, registradas na BNC-Formação e a implementação desse referencial, considerando as diferentes necessidades do educador brasileiro. Para ele, “uma formação tem que ser baseada em competências, habilidades, e, por isso, construímos um conjunto de matrizes estruturadas em 3 grandes pilares: conhecimento, prática profissional e engajamento”.

Raquel Teixeira ofereceu seu ponto de vista como secretária de um estado diversificado como Rio Grande do Sul, mostrando as as necessidades de formação e apoio aos educadores e a articulação do conjunto amplo de ações relevantes tanto para a recuperação da aprendizagem quanto para o novo papel do professor no século21. “O professor viveu os mesmos dramas que os estudantes - luto, perder emprego. Ele teve que se reinventar pra poder dar aula à distância, viveu suas angústias e essa é a importância da ferramenta que está sendo lançada, apoiar o educador nesse momento”, destacou Raquel. Maria Helena encerrou a mesa destacando a necessidade de buscar na ciência e as competências docentes que podem ser desenvolvidas de modo escalável, em políticas públicas e por meio de tecnologias de acesso amplo..

Confira a íntegra do evento: https://youtu.be/-4jCFzb-UZs