publicado em 07.03.2018 ÀS 14:22

Letramento em Programação inspira projeto de lei em Itatiba (SP)

Promover oportunidades para que estudantes conheçam e usem a lógica da programação de computadores é também um dos caminhos para o desenvolvimento de competências como criatividade e pensamento crítico. Em Itatiba (SP), que desde 2015 desenvolve parceria com o Instituto Ayrton Senna para a proposta de Letramento em Programação, essa perspectiva agora é lei e poderá ser ampliada para mais escolas em 2018.

Para conhecer melhor os princípios e metodologias do projeto, diretoras e supervisoras de escolas municipais estiveram na sede do Instituto, em São Paulo, e puderam refletir sobre os desafios teóricos e práticos de ministrar programação para estudantes do Ensino Fundamental. Os educadores que desenvolverão a proposta em sala de aula começam a participar das formações do Letramento em Programação no dia 27 de fevereiro, na Universidade São Francisco, que também é parceira da iniciativa no município.

O projeto (saiba mais abaixo) não busca oferecer formação técnica ou profissional em computação, e sim aproximar os jovens da tecnologia e do universo digital de forma mais protagonista, como mais do que simples usuários e de forma conectada com o desenvolvimento de seus projetos de vida. Ao constatar que uma proposta nesse formato tem contribuições importantes para a educação integral e o desenvolvimento pleno dos estudantes, o município elaborou e aprovou um Projeto de Lei que institui o Letramento em Programação como uma política pública do sistema municipal de ensino.

Pela lei, sancionada pelo prefeito Douglas Oliveira em 8 de dezembro de 2017, ficou estabelecido que as escolas devem construir seus projetos pedagógicos e curriculares contemplando um conjunto de competências que inclua o letramento em programação. Esse componente foi considerado, inclusive, um meio eficaz para atender a estratégia de capacitação tecnológica, que já estava prevista no Plano Municipal de Educação.

Entre as diretrizes para a implementação dessa política pública, a lei prevê que se desenvolva “a capacidade de utilização do computador como instrumento de aumento de poder cognitivo e operacional humano”, bem como “competências essenciais, como as de resolução de problemas, de criatividade, de colaboração e de comunicação, que, por sua vez, contribuem para a efetivação da Educação Integral necessária para o cidadão do Século 21”.

A proposta é que a Secretaria de Educação estimule, oriente, apoie e acompanhe as escolas para isso, inclusive com ações formativas. “Entendemos o valor do projeto para as crianças de Itatiba. O objetivo de instituir esse letramento em lei é garantir que essa política educacional vai continuar, independente de quem seja o gestor. Assim, pensamos a longo prazo, nos alunos que ainda nem estão na escola”, pontuou Anderson Sanfins, Secretário de Educação.

“Estamos muito felizes com a criação do projeto de lei pois, além de reforçar os sucessos alcançados nos últimos 3 anos em torno do Letramento em Programação, abre espaço para continuidade e fortalecimento das ações nos próximos anos, de forma mais integrada ao cotidiano escolar e contribuindo para o desenvolvimento de mais educadores e alunos”, afirmou o coordenador do programa no Instituto Ayrton Senna, Adelmo Eloy. Nós do Instituto desejamos continuar aprendendo e construindo conhecimentos sobre o tema em parceria com Itatiba, a USF e demais parceiros”.

 

COMO FUNCIONA

 

O Letramento em Programação promove atividades de iniciação a diversas linguagens de programação através de formações de professores, que podem ser de qualquer disciplina. O objetivo é proporcionar a vivência e a compreensão do pensamento computacional e oferecer recursos para que os educadores possam incorporar e novos conceitos e práticas em sua atuação na escola.

Não é exigido dos educadores conhecimento prévio sobre computação ou informática, ainda que possa haver professores com formação nessas áreas também. Também não há exigências para a participação dos estudantes, nem relação com a aprovação ou reprovação em outras disciplinas a cada ano escolar.

As formações são realizadas em vários momentos ao longo do ano, em reuniões presenciais e também através de um ambiente virtual de aprendizagem. Também há ações de acompanhamento, realizadas pelos coordenadores do programa em cada município, que buscam identificar boas práticas ou desafios comuns que podem ser compartilhados e solucionados em conjunto.

Utilizando ferramentas gratuitas online e atividades desplugadas, os professores desenvolvem ações semanais nas escolas, em turmas no turno ou no contraturno (alunos da manhã fazem a aula à tarde e vice-versa). Além da prática da programação, os alunos e educadores desenvolvem, de maneira integrada, competências cognitivas e socioemocionais fundamentais para a vida no século 21, como criatividade, resolução de problemas, colaboração e persistência.

Além da região de Itatiba (SP), que inclui também os municípios de Morungaba e Vinhedo, o programa também aconteceu em 2017 no Norte Gaúcho, abrangendo sete municípios em parceria conjunta com a IMED (instituição de ensino superior com representatividade regional), com um impacto total de mais de 800 estudantes impactados diretamente. Para 2018, estão previstos mais municípios parceiros em ambas as regiões, além de parcerias com municípios e instituições de outras regiões do país. A iniciativa tem apoio da Boeing.

Digite o assunto que deseja pesquisar

Comentar
Mensagem
Comentários