publicado em 14.10.2019 ÀS 16:13

Educação por projetos: o que é e por que implementá-la?

A educação por projetos oferece às instituições de ensino a oportunidade de aprimorar o desenvolvimento do estudante. Conheça como ela funciona e considere implementar essa ideia.

As propostas da educação por projetos devem oferecer condições para o desenvolvimento pleno do estudante: corpo, mente, sentimento e atitude, convocando o educando em toda sua inteireza.

Este tipo de organização e condução do processo educativo permite ao aluno uma participação abrangente e profunda em todas as etapas da realização de uma ação: analisar uma situação, decidir intervir ou não, planejar e executar a ação, avaliá-la e apropriar-se dos seus resultados.

Todo esse processo contribui para o desenvolvimento de competências, pois trata-se de uma tarefa que se pensa e se concretiza em função de uma finalidade real. Entre as vantagens dessa metodologia está a obtenção de altos níveis de motivação e participação do estudante.

A educação por projetos gera oportunidades para que os estudantes coloquem seus conhecimentos em ação e sejam provocados a pesquisar outros conhecimentos e transformar suas hipóteses, de modo a resolver problemas por meio da interação.

Os projetos podem ter objetivos diversos, como:

  • ser uma ação de intervenção para a mudança de algo que se mostre um problema para a escola ou comunidade;
  • apoiar a autogestão dos alunos com relação aos estudos;
  • promover pesquisas estruturadas, que articulem os interesses estudantis com os interesses curriculares, etc.

Ao realizar projetos, os estudantes entendem modos de estruturar seu percurso de investigação, concretizam ideias e planos, aprendem conhecimentos novos, desenvolvem competências cognitivas e socioemocionais, como: conhecer os próprios interesses; realizar ações em colaboração com colegas; configurar um problema; acessar, analisar, relacionar, produzir e compartilhar conhecimentos; transformar planos em ação; analisar o processo vivido de modo crítico; ter responsabilidade etc.

Como é a experiência na prática?

Na parceria do Instituto Ayrton Senna com as Escolas de Tempo Integral do Estado de São Paulo, a metodologia de educação por projetos foi especialmente utilizada na resolução de problemas matemáticos e reais, integrando o trabalho dos professores no componente curricular Experiências Matemáticas. O objetivo foi gerar uma apropriação desse componente para além de aplicações tradicionais da Matemática, além de entender essa área como ciência portadora de características como a investigação e linguagem próprias. São importantes para pensar e resolver problemas, tanto na escola quanto na vida.

A partir da constatação de que há uma grande semelhança entre as etapas para o desenvolvimento de projetos e para a resolução de problemas matemáticos, os dois processos foram pareados nesse componente curricular.

Portanto, o mesmo caminho foi utilizado, tanto na resolução de situações mais específicas da Matemática quanto de outras áreas temáticas envolvidas em situações reais. Por isso, nem todos os projetos desenvolvidos pelos professores de Experiências Matemáticas foram exclusivos da disciplina e abrangeram temas variados levantados pelos estudantes.

A proposta é de que, por meio do uso de problemas que não sejam restritos à aplicação de fórmulas e cálculos, os estudantes possam experimentar o processo de observar, formular hipóteses, buscar informações, combinar informações em uma estratégia de ação, argumentar, usar a linguagem para descrever a situação, testar suas hipóteses e chegar e alguma conclusão.

Tornar-se um “resolvedor” de problemas não acontece quando propomos apenas exercícios de aplicação dos conceitos; é importante que o aluno seja capaz de utilizar seus conhecimentos em situações diferentes ou mais complexas, mobilizando o pensamento matemático enquanto está participando ativamente no enfrentamento de desafios reais.

A importância do professor mediador

A mediação do professor é um aspecto-chave para o bom desenvolvimento dos projetos. O acolhimento dos interesses e conhecimentos dos alunos, o aporte de novos conhecimentos, a orientação em relação ao percurso a ser vivido, a problematização dos pontos de vista e escolhas dos estudantes e o estímulo à aprendizagem são marcas importantes da atuação do professor na orientação de projetos.

O professor que orienta projetos também é estimulado a pesquisar e a se apropriar de novos conhecimentos, uma vez que ele pode ser demandado a tratar de temas que não são necessariamente de sua área. O trabalho de mediação em projetos tem especificidades, considerando, por exemplo, a autonomia que se dá às equipes de alunos para que encontrem suas próprias soluções para os problemas identificados, ao mesmo tempo que contribui com informações durante todo o processo. Dessa forma, durante o desenvolvimento de um projeto, estudantes e professores refletem, produzem e aprendem juntos.

Para promover o desenvolvimento integral dos alunos, o professor que pratica essa metodologia deve observar se as ações propostas concretizam-se no contexto curricular, ou seja, é parte do percurso formativo, e também se elas estão assentadas na crença de que os estudantes têm potencial para participar da construção de todo o processo de resolução de problemas, ganhando autonomia.

Agora que você já conhece o que é educação por projetos e os motivos para implementar essa ideia, fique de olho nas nossas publicações para a segunda parte do conteúdo. Nela, falaremos sobre como começar a trabalhar com esse modelo em sua escola.

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