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Empreendedorismo social é tema no Whow! Festival de Inovação

4 MIN
8 set 2020

Instituto Ayrton Senna participou de painel que discutiu estratégias de como injetar propósito a um modelo de negócio

Como trabalhar para resolver os problemas sociais e, ao mesmo tempo, gerar receita para continuar existindo? A resposta a essa pergunta fomentou uma série de reflexões no painel “Empreendedorismo social: como injetar propósito a um modelo de negócio”, parte do último dia de programação do Whow! Festival de Inovação, realizado de 23 a 25 de julho, em São Paulo (SP).

Participante do painel, Fabiana Fragiacomo, gerente-executiva de Marketing do Instituto Ayrton Senna, explicou que, no caso da organização não governamental, o propósito e o negócio se sobrepõem. “O propósito não precisa ser enorme. Ninguém acorda e decide mudar o mundo. As empresas precisam olhar para seu entorno e entender como podem impactar a realidade em que atuam. Se todos fizerem isso, aí sim, nós transformaremos o mundo”, refletiu.

“Não é porque eu faço o bem que eu não devo ganhar dinheiro. É melhor que vá mais dinheiro para empresas que façam o bem e a transformação social”, disse Ezequiel Vedana da Rosa, criador da Piipee. A startup desenvolveu uma solução biodegradável e ecologicamente correta para as descargas sanitárias que remove o odor, altera a cor e higienizam o banheiro, sem a necessidade de usar água. Segundo Rosa, a cada 24 horas, mais de 10 bilhões de descargas são acionadas no mundo. Nesse ato tão simples e corriqueiro, mais de 60 bilhões de litros de água potável vão encanamento abaixo.

Este problema foi o ponto de partida para o propósito da Piipee: diminuir o desperdício de água com descargas em banheiros e mictórios e, assim, cuidar da sustentabilidade do planeta. “A nossa conta fecha. Desenvolvemos um modelo de negócio que vai além do ganha-ganha. Ao usar a nossa solução, o consumidor se beneficia porque vai pagar por menos água; e o planeta se beneficia pelo menor desperdício”, explicou Rosa.

Mórris Litvak trouxe sua experiência na criação da startup MaturiJobs, que ajuda a população acima de 50 anos a se capacitar e ingressar no mercado de trabalho. “Temos uma cultura no Brasil de achar que o jovem nunca vai envelhecer. É preciso conscientizar as empresas da importância de contratar pessoas mais velhas como algo estratégico para elas. Por mais que essa jornada seja ainda muito difícil e desafiadora, quando a gente vê o impacto que ela gera, o dinheiro é consequência e não objetivo. O mais importante é o bem que fazemos para as pessoas”, contou o CEO.

Comunicar e fazer

Também foi discutida a relevância de acordos entre empresas para somar esforços na divulgação de causas sociais urgentes. No entanto, os participantes do painel fizeram o adendo de que não adianta fazê-lo somente para gerar uma imagem positiva com a sociedade.

“Não adianta você ajudar uma causa e fazer descarte de resíduo no rio, por exemplo. A empresa tem que olhar o ecossistema onde ela está inserida, para os seus processos internos, sua relação com o cliente e com a sociedade. É preciso conectar propósito e causa em todas as instâncias”, ponderou Fragiacomo.

“Um pilar importante para negócios ligados à problemas sociais é trabalhar a conscientização. Comunicar não é ruim, mas nós precisamos fazer. Não adiantar contar, é preciso concretizar, impactar efetivamente”, destacou Glaziela Cavallaro, gestora de Inovação Social da Yumus Negócios Sociais, que atuou como mediadora do painel. “A gente construiu nossa lógico de negócio baseada no egoísmo. Mas, dentro das pessoas, também existe o altruísmo e é possível construir negócios em cima dessa premissa”, completou.

E qual seria o caminho das pedras? “A gente precisa olhar exemplos. Olhar quem está fazendo e fazendo bem feito. Em inovação, não existem erros, existem resultados bons e ruins. Se você errou, você fez”, sugeriu Rosa.

Visita criativa

No primeiro dia do Whow! Festival de Inovação, os participantes que se inscreveram nas visitas criativas puderam conhecer a sede do Instituto Ayrton Senna, no bairro de Pinheiros, em São Paulo (SP). Um grupo de 30 pessoas conversou com gerente de projeto de Educação Mônica Pellegrini e fez um tour com direito à tradicional foto na frente da McLaren estacionada na recepção do Instituto – carro que deu ao piloto o bicampeonato mundial de Fórmula 1, em 1990.