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publicado em 14.11.2017 ÀS 19:23

São Paulo anuncia acordo para implementar a educação integral na rede municipal

A Prefeitura do Município de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Educação, e o Instituto Ayrton Senna firmaram nesta terça-feira (14) um acordo de cooperação com o objetivo de reunir esforços para incorporar a educação integral à política de educação da cidade. As ações serão desenvolvidas tanto para a etapa da alfabetização quanto para os anos finais do Ensino Fundamental. Em outras parcerias anunciadas também nesta manhã (leia mais abaixo), o foco foi a formação inicial de professores com a perspectiva da educação integral.

Entendida como uma ampliação das oportunidades para a formação plena do estudante, a educação integral busca conectar a aprendizagem cognitiva ao desenvolvimento de competências para o século 21, como colaboração, criatividade e resolução de problemas, entre outras. Diversos estudos mostram que essas habilidades têm papel fundamental no desempenho escolar e também nas realizações ao longo da vida. Devido à sua relevância, o tema também está previsto na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), hoje em análise no Conselho Nacional da Educação (CNE), e que tem como objetivo estabelecer os conhecimentos e habilidades essenciais que todos os estudantes deverão aprender ao longo da Educação Básica.

Por meio do acordo firmado entre as instituições, as equipes de educadores da Secretaria Municipal da Educação, que já possuem trajetória de experiências nesse campo, passarão a contar também com a expertise do Instituto Ayrton Senna, que há mais de 20 anos produz conhecimentos e soluções concretas sobre a educação integral de forma colaborativa com diversas redes públicas de ensino no País.

“O conceito de educação integral trabalhado aqui é do desenvolvimento pleno, por isso pode acontecer tanto em tempo parcial quanto em tempo integral. Hoje estamos muito honrados e queremos agradecer à equipe de São Paulo por nos escolher para uma parceria nesse campo, tão importante”, afirmou Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna, no evento de anúncio das iniciativas. “Todas as parcerias que assinamos hoje endereçam questões estruturais da educação no Brasil, e promovem construções conjuntas que podem inspirar outros lugares do País.”

O secretário de Educação do município de São Paulo, Alexandre Schneider, reforçou a importância do papel dos educadores que já participaram da construção do currículo do município, que em breve será publicado, e que já prevê a integração de aspectos cognitivos aos socioemocionais nas iniciativas da rede. “São Paulo organizou um currículo com participação de educadores, gestores, instituições e parceiros, e também contamos com apoio do Instituto Ayrton Senna, inclusive agora vamos buscar nessa parceria produzir conhecimentos científicos, gerar evidências sobre a importância dessa educação integral”, disse o secretário.

Um dos focos da parceria entre a Secretaria Municipal de Educação e o Instituto Ayrton Senna será a gestão da política de alfabetização da rede municipal de ensino como um todo. As ações incluirão, por exemplo, a formação de educadores para a promoção da competência gestora para acompanhamento e análise de indicadores como a frequência nas aulas e os níveis de alfabetização de cada aluno. 

Já nos anos finais do Ensino Fundamental, a parceria buscará desenvolver uma proposta de escola que integrará o conteúdo das áreas de conhecimento (Matemática, Linguagens, Ciências Humanas e Ciências da Natureza) com o desenvolvimento de competências para o século 21. Assim, essa escola poderá atender aos anseios dos adolescentes, familiares e educadores, ao possibilitar desenvolvimento integral dos estudantes de forma criativa, responsável, crítica, colaborativa e aberta ao novo – como preconiza o currículo da cidade de São Paulo. O projeto será construído ao longo de 2018 junto com educadores e estudantes de cerca de 50 escolas que ainda serão definidas. Para subsidiar essa implementação, equipes de professores, gestores regionais e escolares passarão por ações de construção coletiva e formação ao longo do próximo ano.

Educação integral na formação inicial de professores

Ainda com foco na educação integral, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Educação, e o Instituto Ayrton Senna também anunciaram, nesta terça-feira (14), a assinatura de um memorando de entendimentos com a Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho) visando formar futuros professores para o desenvolvimento das competências para o século 21. O objetivo é que, além dos estudantes da rede, os professores ainda em formação inicial também possam ter oportunidades de desenvolver novas competências profissionais e conhecer as ferramentas necessárias para a prática na educação integral na sala de aula.

A partir de 2018, o projeto envolverá um curso de extensão que terá a duração de 100 horas e será ofertado na modalidade de educação a distância para alunos de licenciatura em Pedagogia, ofertado pela Unesp, e de outras licenciaturas que também utilizam os polos da UniCEU (Universidade nos Centros Educacionais Unificados), sendo, portanto, extensivo a qualquer outra instituição de ensino e não limitado a alunos da Unesp.

Hoje, as UniCEUs disponibilizam cursos em parceria com 12 instituições públicas de Ensino Superior. O esforço coletivo visa ampliar a prática na formação inicial de professores, valorizando os saberes que esses profissionais precisam ter para atuar nas escolas diante dos desafios do século 21.

Alinhado a essa iniciativa pioneira no Brasil, foi firmado ainda um protocolo de intenções entre o Ministério da Educação (MEC), a Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a Unesp e o Instituto Ayrton Senna para constituição de uma comissão que deverá apresentar, em até 60 dias, uma proposta de Residência Pedagógica, com foco em Educação Integral, no âmbito do Programa de Residência Pedagógica, anunciado recentemente pelo MEC. A intenção dessa parceria é reunir esforços e proporcionar a troca de experiências entre a universidade, o terceiro setor e o setor público para que todos contribuam com a missão de apoiar e aperfeiçoar a formação de educadores no País.

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